Bets acendem alerta no Banco Central com avanço da inadimplência
As bets entraram definitivamente no radar do Banco Central como um fator de pressão sobre o endividamento das famílias.
Depois de mapear o crescimento explosivo das apostas no país, a autoridade monetária passou a acompanhar com mais atenção os sinais de deterioração do crédito entre brasileiros que apostam com frequência.
O alerta ganhou força com um levantamento do Sicredi feito a partir de 1,3 milhão de associados com operações de crédito.
O estudo identificou inadimplência 40% maior entre os clientes que apostaram online em 2025 na comparação com os que não fizeram apostas.
Os resultados preliminares foram apresentados à diretoria do Banco Central.
O dado reforça outra pesquisa recente, de Stone e Insper, que também encontrou piora nos indicadores financeiros de consumidores depois da entrada nas apostas.
O estudo apontou aumento da inadimplência e dos atrasos no cartão, além de redução do crédito disponível entre os apostadores.
A preocupação já havia sido explicitada pelo próprio Banco Central.
No início de setembro, o diretor de Fiscalização da instituição, Ailton de Aquino, afirmou que as bets se tornaram um “elemento central” do endividamento das famílias e disse que o regulador estudava medidas relacionadas ao avanço das apostas dentro do sistema financeiro.
Continua após a publicidade A mudança de foco é relevante.
Em 2024, o BC concentrava esforços em medir o tamanho do fenômeno, estimando que cerca de 24 milhões de brasileiros haviam feito transferências para empresas de apostas e que a movimentação mensal do setor alcançava dezenas de bilhões de reais.
Agora, o debate começa a avançar sobre a qualidade do crédito de quem aposta e os riscos para instituições financeiras.
Os estudos, contudo, não permitem afirmar que as bets, isoladamente, causem a inadimplência maior.
O que mostram é uma associação cada vez mais consistente entre apostas, endividamento e deterioração do crédito.
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