Investimentos chineses no Brasil somam R$ 230 bilhões desde 2015
Os investimentos chineses no país somaram cerca de US$ 45 bilhões (R$ 230 bilhões) entre 2015 e 2025, de acordo com estudo da consultoria Euromonitor International. Só no ano passado, foram US$ 6,1 bilhões (R$ 31 bilhões), alta de 45% na comparação com o ano anterior, fazendo do Brasil o país que mais recebeu aportes chineses no mundo.
Se há uma década o aporte estava concentrado em infraestrutura, como hidrelétricas, agora a China avança também sobre o mercado de consumo brasileiro . O popular "made in China", de itens de baixo valor agregado, vem sendo substituído — ainda que não totalmente — pelo "made by China in Brazil", com produtos e serviços sofisticados, que envolvem alta tecnologia de produção e cadeia logística, adaptados ao perfil do brasileiro.
"A China está migrando de uma estratégia focada em preço e importação para uma abordagem que prioriza conteúdo, comunidade, produção local e logística eficiente", diz Guilherme Machado, gerente de pesquisas da Euromonitor International. Com isso, as marcas chinesas adotam um posicionamento de "luxo acessível", com produtos de qualidade com design sofisticado e construção de marca, em vez de priorizar preço baixo.
Esse movimento é impulsionado pela instabilidade nos mercados americano e europeu e pelo crescimento mais moderado nos asiáticos, que já estão maduros, o que tornou a América Latina um destino estratégico, diz Machado. Em toda a região, segundo a Euromonitor, os chineses já conquistaram a liderança de mercado em eletrônicos e veículos elétricos; estão avançando com eletrodomésticos e ensaiam uma arrancada em beleza, além de já terem garantido espaço em moda e serviços de delivery e alimentação.
O novo Porto de Chancay, no Peru, com investimentos de US$ 3,5 bilhões, é um símbolo dessa ofensiva. Liderado pela estatal chinesa Cosco Shipping Company e operado em parceria com a peruana de mineração Volcan, o complexo portuário integra a "Nova Rota da Seda" — projeto chinês de investimento em infraestrutura no exterior. O grande calado da baía de Chancay permite receber os maiores navios do mundo, que podem transportar até 24 mil contêineres, reduzindo em até 20 dias o tempo de transporte entre China e América do Sul.
Na América Latina, o predomínio de apenas duas línguas, espanhol e português, facilita a estratégia de entrada dos chineses, que também se valem da proximidade com recursos naturais, o que incentiva a produção local Guilherme Machado, gerente de pesquisas da Euromonitor International
O Brasil é protagonista dos investimentos chineses na região: de 2015 a 2024, o país recebeu entre US$ 35 bilhões e US$ 40 bilhões, com destaque para energia, mineração, automóveis e agronegócio, informa a Euromonitor. O valor é quase o triplo do que foi aplicado no mesmo período no México, segundo principal destino chinês (entre US$ 12 bilhões e US$ 15 bilhões). Outros países relevantes para os orientais são Argentina, Chile, Colômbia e Peru.
No Brasil, o aporte chinês é mais diversificado do que o dos seus concorrentes asiáticos.
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