Brasil pode sentir efeitos do 'super El Niño' na primavera; veja previsões para diferentes regiões
O Brasil deverá entrar na primavera , em setembro, sob a influência de um fenômeno que meteorologistas ao redor do mundo já classificam como excepcional.
Dados da NOAA, a agência oceânica e atmosférica dos Estados Unidos , mostram que a temperatura da superfície do Oceano Pacífico Central, região conhecida como Niño 3.4, ficou 1,8°C acima da média para o mesmo período.
"Esse valor já caracterizaria esse episódio como um El Niño de forte intensidade", afirma o meteorologista Diogo Arsego, do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), ligado ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Segundo Arsego, a previsão é que o aquecimento no Pacífico continue nos próximos meses, atingindo o auge entre outubro e dezembro, "com mais de 90% de chance de que seja um El Niño de muito forte intensidade".
O termo " super El Niño " é usado quando a anomalia de temperatura da superfície do mar ultrapassa os 2°C acima da média histórica — um patamar registrado apenas quatro vezes em cerca de 150 anos, em 1877-78, 1982-83, 1997-98 e 2015-16.
Os modelos climáticos atuais indicam que 2026 pode se tornar o quinto episódio dessa magnitude.
No Brasil, a expectativa dos meteorologistas ouvidos pela BBC News Brasil é unânime.
"É cientificamente comprovado o efeito do El Niño no Brasil durante a primavera.
Espera-se efeito forte", resume a pesquisadora Ana Ávila, do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri), ligado à Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Getty Images Bairro em Porto Alegre após as fortes chuvas de 2024 Onde os efeitos do El Niño serão mais intensos O fenêmeno deve levar chuva concentrada ao centro-sul do país, e calor e seca ao centro-norte.
Segundo o meteorologista Gustavo Verardo, do Climatempo, os efeitos relacionados às chuvas e ao risco de temporais devem atingir os estados de São Paulo , Paraná , Santa Catarina e Rio Grande do Sul .
"Esperamos muita chuva entre Santa Catarina e Paraná, que é o ponto de destaque para a semana que vem, com chuva acima de 150 a 200 milímetros, risco de alagamentos e inundações", ele diz.
Já quando a janela analisada é o trimestre completo — que compreende os meses de setembro, outubro e novembro —, a leitura muda.
Arsego cita a previsão conjunta feita pelo Inpe, pelo Inmet e pela Funceme, a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos, para esse período.
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