Voltar a beber após anos sóbrio é seguro? O que declaração de Brad Pitt revela sobre luta contra o vício
Brad Pitt no Oscar 2021 AP Photo/Chris Pizzello Após sete anos sóbrio, o ator Brad Pitt afirmou em uma entrevista recente à revista Esquire que voltou a beber, ainda que de forma moderada.
"Posso tomar algumas [taças de vinho].
Mas não posso exagerar.
Tenho de encarar isso com profissionalismo", disse.
Em 2017, ele admitiu enfrentar um consumo excessivo de álcool ao longo de toda a vida e comentou deixou de beber durante o processo de separação da atriz Angelina Jolie.
Apesar de o ator afirmar ter consciência que o hábito não lhe faz bem, se mostrou confiante ao dizer que passou a beber de um jeito mais controlado.
Mas diferentemente do que fez Pitt, os especialistas alertam: para quem já enfrentou problemas com vício, não é seguro voltar a beber.
"É comum que a pessoa retome em poucas semanas o padrão de consumo que levou anos para se instalar.
A dose que hoje parece inofensiva costuma ser o início de uma nova escalada", comenta Olivia Pozzolo, médica psiquiatra e pesquisadora do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA). 👉Na matéria abaixo, você entende: Quais os riscos envolvidos na retomada do hábito de beber Em que medida o excesso de confiança pode atrapalhar a recuperação de quem enfrenta o vício Quais são os sinais de que a pessoa está caminhando para uma recaída Quando o consumo de álcool pode ser considerado seguro VEJA TAMBÉM: Agora no g1 Os riscos de voltar a beber O principal ponto quando o assunto é retomada do hábito de beber para quem já enfrentou o vício em álcool é o funcionamento do organismo.
Arthur Guerra, psiquiatra especialista em dependência química e presidente do Instituto Perdizes do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (centro para tratamento de doenças relacionadas ao uso de álcool e drogas), explica que o corpo da pessoa que teve problemas com o consumo de álcool guarda uma memória biológica em relação a ingestão excessiva dessa substância.
"Ainda que ela tenha vontade de beber de forma moderada, na prática, ela não consegue.
Ela facilmente perde o controle", comenta Guerra.
Pozzolo ainda acrescenta que o conceito de moderação para essas pessoas não se aplica da mesma forma do que para aqueles que bebem apenas socialmente.
"O cérebro não volta à estaca zero: os circuitos ligados ao desejo e à recompensa seguem sensibilizados mesmo depois de muito tempo sem beber", analisa.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em g1.globo.com — o conteúdo pertence a G1.