Roubo das aposentadorias: as conexões de Flávio Bolsonaro com o caso do INSS apontadas à PF
Os deputados federais Alencar Santana (PT-SP) e Rogério Correia (PT-MG) acionaram a Polícia Federal (PF) nesta quinta-feira (27) para investigar possíveis relações entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) , seu escritório de advocacia e integrantes do núcleo investigado pela Operação Sem Desconto, que apura um esquema de descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) .
A notícia de fato apresentada à PF pede a abertura de procedimento investigatório e o cruzamento de dados financeiros, bancários, fiscais, societários e patrimoniais para verificar se houve, direta ou indiretamente, circulação de recursos entre pessoas e empresas ligadas ao esquema investigado e o parlamentar, sua sociedade de advocacia ou pessoas responsáveis por sua administração.
A representação não afirma que Flávio Bolsonaro tenha participado das fraudes.
O pedido apresentado pelos parlamentares sustenta que existem vínculos familiares, profissionais e societários que precisam ser esclarecidos pela investigação policial.
Segundo o documento, a questão central é verificar “se houve, ou não, trânsito de recursos, direto ou indireto” entre integrantes do núcleo responsável pelos descontos indevidos e o senador, sua sociedade de advocacia ou pessoas vinculadas a ela.
A conexão entre o escritório de Flávio Bolsonaro e o núcleo investigado Um dos principais pontos apresentados pelos deputados envolve Letícia Caetano dos Reis , administradora da Flávio Bolsonaro Sociedade Individual de Advocacia desde a criação da empresa, em abril de 2021.
Segundo a documentação encaminhada à PF, Letícia é irmã de Alexandre Caetano dos Reis , apontado em relatório da própria Polícia Federal como sócio de Antônio Carlos Camilo Antunes , conhecido como “Careca do INSS” e citado como um dos principais operadores do esquema investigado na Operação Sem Desconto.
A representação destaca que Alexandre aparece ligado à empresa Camilo & Antunes Limited, registrada nas Ilhas Virgens Britânicas.
De acordo com os documentos apresentados pelos parlamentares, a empresa teria adquirido quatro imóveis no Brasil em 2024, em operações que somariam aproximadamente R$ 11,05 milhões, estrutura que passou a ser analisada no contexto das investigações sobre possíveis mecanismos de blindagem ou ocultação patrimonial.
Para os deputados, essa sequência de relações — que começa no escritório de advocacia de Flávio Bolsonaro, passa pela administradora da sociedade e chega ao irmão dela, apontado como sócio de um dos investigados — justifica a realização de diligências para verificar se existe algum vínculo financeiro entre essas estruturas.
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