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É fácil querer mudar escala 6x1, assim como 'a criança vai preferir ir menos à escola', diz CEO do Rei do Mate

Folha de S.Paulo ·
É fácil querer mudar escala 6x1, assim como 'a criança vai preferir ir menos à escola', diz CEO do Rei do Mate

Editado por Alex Sabino (interino), espaço cobre os bastidores da economia e de negócios. Com Luana Franzão e Maria Clara Guilherme

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Antônio Carlos Nasraui comanda o Rei do Mate , empresa criada pelo seu pai no centro de São Paulo e que hoje é um dos principais nomes do food service brasileiro. A marca, com cerca de 300 lojas, teve crescimento de 7% no faturamento de 7% 1º semestre deste ano. Os tíquetes aumentaram em quantidade (avanço de 9%) e valor (acréscimo de 7% no valor médio).

No entanto, o executivo enxerga desafios para o crescimento do varejo no país, entre eles a reforma tributária e o possível fim da escala 6x1 de trabalho. O cenário, para o executivo, é de pessimismo com o país.

O mercado de food service e cafeterias está pressionado? Demais. Não só food service, mas cafeterias e restaurantes também. Com mão de obra, com tudo. O varejo está em um momento muito delicado. Os juros não vão cair, porque não há dinheiro de fora entrando [no Brasil]. Todo mundo está fugindo. Como o Rei do Mate consegue continuar crescendo nesse cenário? Conseguimos juntar bons parceiros, tanto entre fornecedores quanto entre franqueados. Estamos de olho em oportunidades de mercado, incluindo a possibilidade de trazer outras marcas para o grupo, desde que estejam no mesmo segmento em que atuamos. Temos história e ligação com o público brasileiro.

O que o Rei do Mate entende sobre o cliente nacional? Quando a Starbucks chegou ao Brasil, o Howard Schultz [ex-CEO da rede norte-americana] não sabia o que era açaí nem coxinha. São grandes players, com produtos de qualidade e lojas bacanas, mas a gente sabe o que o brasileiro gosta. Trabalhamos há 30 anos com pão de queijo, por exemplo. O seu [Juan] Valdéz [marca colombiana de café que abriu a 1ª loja no país] não sabe nem o que é pão de queijo, mas vai ter que aprender se quiser fazer sucesso no Brasil.

Como a reforma tributária deve impactar o Rei do Mate e todo o varejo? Será mais um empurrão do varejo para o abismo. Muita gente não tem estrutura, não tem mais para onde correr, não suporta mais aumento de custo e imposto. Não existe elasticidade para repassar preço ao consumidor, pelo contrário, a briga é para entregar mais cobrando um preço justo. O cliente está endividado e não tem mais margem para absorver aumentos. O mercado vai ter que se nivelar. É uma preocupação para todo o setor e mesmo uma empresa grande e formalizada como o Rei do Mate sentirá impacto nas lojas. Para a maioria do pequeno varejo, ainda não caiu a ficha do que vem por aí. A reforma pode gerar mais informalidade, com gente deixando de emitir nota porque não vai ter para onde correr. Com a logística difícil no Brasil e a diferença de impostos entre estados, e agora com a reforma tributária, é uma arte conseguir trazer produto de qualidade e manter um preço justo para um público que está, em boa parte, endividado.

Como o possível fim da escala 6x1 afeta o Rei do Mate e o setor? Lojas menores do que nós serão muito afetadas.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha de S.Paulo.

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