Programas de Lula e Flávio fazem promessas sem dizer como vão bancar gastos
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Tanto o programa de governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como o de Flávio Bolsonaro ( PL ) fazem inúmeras promessas, mas evitam detalhar como o país vai equilibrar as contas públicas , afirmam à Folha economistas que analisaram os textos.
Segundo eles, o resultado de arrecadação e despesa da União será central nos próximos anos, independentemente de quem vencer a eleição. Nenhum dos dois programas, no entanto, deixa clara a forma de lidar com esse tema.
Sergio Vale, da MB Associados, diz que é normal que questões importantes e impopulares fiquem de fora dos planos de governo, e isso é o que aconteceu nesses dois casos. Ele afirma que não há muita discussão sobre como enfrentar as emendas parlamentares ou mudanças na Previdência, na saúde e na educação.
Para ele, o programa de Flávio tem uma incoerência interna porque promete corte de gastos e impostos ao mesmo tempo, em que sinaliza aumento de despesas em áreas como infraestrutura e segurança pública, com construção de presídios. O programa do PT fala menos em cortes : a ideia é controlar o aumento do gasto, o que, aliado a uma retomada do crescimento, garantiria um resultado fiscal primário positivo.
Gustavo Pessoa, da FGV (Fundação Getúlio Vargas), diz que os dois programas só mostram as partes mais populares, e não as que podem ter algum impacto negativo para os eleitores. Para ele, o texto de Lula reforça a continuidade de um perfil de Estado indutor, provedor e intervencionista, semelhante ao dos três mandatos anteriores de Lula . Já o de Flávio tenta marcar posição como um liberal, com a promessa de reduzir a dívida e cortar impostos, mas sem detalhar quem arcará com o ônus desses ajustes.
Pessoa afirma que cerca de 91% do Orçamento é composto por gastos correntes, aqueles voltados ao funcionamento da máquina pública, o que deixa pouco espaço de manobra, mas não há nenhuma discussão sobre como seria feito algum tipo de restrição a essas despesas.
Ele diz que a taxa de juros atual, com o patamar básico de 14%, é um problema e apontado pelos dois, mas nenhum indica o que faria de diferente para permitir a redução.
Tatiana Pinheiro, consultora e pesquisadora da FGV, nota que o programa de Lula é menos específico do que o de 2022, quando havia compromissos claros como a valorização do salário mínimo e a reforma tributária. Ela afirma que Flávio nomeou mais elementos concretos, como o "Tesouraço" (a combinação de corte de despesas, reforma administrativa e redução de impostos) que ele propõe.
No programa de Lula, o arcabouço fiscal vigente é apresentado como medida suficiente para equilibrar as contas, enquanto os economistas ouvidos defendem mudanças mais profundas na política fiscal.
Juliana Inhasz, do Insper, afirma que o plano petista promete intensificar programas sociais sem indicar fonte de financiamento.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha de S.Paulo.