Electra negocia usinas e propõe corte de 70% aos credores
Em recuperação judicial com passivo de aproximadamente 1,3 bilhão de reais, o Grupo Electra negocia a venda de duas hidrelétricas que integravam um pacote de ativos adquirido da Copel em 2024.
Ao mesmo tempo, o plano apresentado pela companhia propõe desconto de 70% aos credores quirografários e dez anos sem pagamento de principal ou juros.
A operação envolve as centrais geradoras hidrelétricas Pitangui, de 0,9 megawatt, e São Jorge, de 2,3 megawatts, ambas em Ponta Grossa, no Paraná.
As compradoras são a Famiglia Bertolini Investimentos e a J Bertolini, holdings ligadas ao Grupo Calpar, que atua principalmente no agronegócio.
O negócio ainda depende das aprovações do Cade e da Aneel.
As duas usinas faziam parte do conjunto de treze ativos vendido pela Copel à Electra Hydra por 450,5 milhões de reais.
Esse valor corresponde ao pacote completo, não apenas às duas CGHs agora negociadas.
Os documentos públicos não revelam quanto a Electra pagou individualmente por Pitangui e São Jorge nem o preço acertado com o Grupo Calpar.
Continua após a publicidade A recuperação judicial foi pedida em maio após a deterioração da liquidez da comercializadora e os embates com a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica.
A Electra afirma que faturou mais de 2 bilhões de reais em 2025, atendia 1.600 clientes e recebeu 390 milhões de reais em aportes dos acionistas entre 2025 e 2026, insuficientes para evitar a crise.
Continua após a publicidade Pelo plano apresentado à Justiça, os créditos quirografários sofrerão desconto de 70% e serão corrigidos pela Taxa Referencial acrescida de 0,5% ao ano.
Depois da carência de 120 meses, o saldo será pago em noventa parcelas.
Na prática, o cronograma pode levar dezessete anos e meio desde a homologação até a última prestação.
Continua após a publicidade A vendedora das usinas, Electra Hydra, não está entre as quatro empresas formalmente incluídas na recuperação judicial, embora integre o grupo da Intrepid, uma das recuperandas.
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