Burnout de personagem: o cansaço de manter sua versão que “deu certo”
Esses dias, fui a um jantar cujo objetivo era a apresentação do estudo Ado(r)lescência , conduzido pelo Instituto Locomotiva a pedido do LAB Humanidades da AlmapBBDO.
Uma pesquisa liderada por Rita Almeida, em parceria com a Netflix, que ouviu adolescentes brasileiros de 13 a 17 anos para mapear suas pressões, angústias e comportamentos.
O estudo aponta um profundo desencontro geracional e uma crise de saúde mental entre esses jovens, que sofrem com a falta de escuta adulta e buscam acolhimento no ambiente digital.
Do total, 61% dizem que a pressão para ter sucesso os deixa ansiosos; enquanto 58% já viveram crises de ansiedade ou pânico.
E, em meio a tantas incertezas, essa geração está com dificuldade de sonhar.
Sonhar.
Foi essa palavra que ficou ecoando na minha cabeça.
Como assim uma geração inteira está perdendo a capacidade de desejar muito algo na vida real? Logo eles? Se fossem os quarentões da minha turma, engolidos pelo cansaço do mundo corporativo, até vai lá.
Mas jovens de 15 anos? Onde foi parar o direito de inventar mundos antes mesmo de precisar encará-los? Eu, adolescente, tinha certeza absoluta de que os cinco integrantes dos Backstreet Boys estavam olhando para mim naquele show lotado no Anhembi, cheio de meninas gritando.
E ainda imaginava que participaria da tour.
Fora os sonhos delusionais, eu sonhava que poderia ser jornalista, ser advogada, ser tantas coisas.
Sonhava a torto e a direito, mesmo sabendo que nem tudo seria fácil e que, talvez, algumas coisas não acontecessem mesmo.
Mas eu gostava de aventar as possibilidades.
Continua após a publicidade E, no fim, eu fui mesmo muitas coisas.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em saude.abril.com.br — o conteúdo pertence a Veja Saúde.