‘Pílula do ronco’: nova medicação para apneia avança em estudos e quer substituir CPAP
Uma pílula em desenvolvimento nos Estados Unidos, conhecida preliminarmente como AD109 , vem atraindo interesse devido aos resultados promissores como um possível tratamento para pessoas com apneia obstrutiva do sono .
Os fabricantes vêm tentando demonstrar que a nova droga seria, inclusive, uma substituta viável para o CPAP , máquina tipicamente usada para manter as vias aéreas desobstruídas durante o sono.
Em um estudo publicado em maio, pacientes submetidos ao tratamento tiveram uma redução de 44% no chamado índice de apneia-hipopneia (AHI, na sigla em inglês), usado para medir as interrupções respiratórias por hora.
O que os estudos demonstraram O trabalho, publicado mais cedo neste ano no American Journal of Respiratory and Critical Care Medicine , acompanhou 646 pacientes com apneia de diferentes níveis – de leve a grave – ao longo de 26 semanas.
Nenhum deles fazia uso do CPAP , seja por não tolerar ou por recusar esse tratamento padrão para o problema.
Os voluntários foram divididos em um grupo que fez uso do AD109 (que já tem registro provisório para futuramente usar o nome comercial Oxnimbi , se for aprovado) e outro que utilizou um placebo.
Ao fim do acompanhamento, o AHI caiu 44,1% entre os submetidos ao tratamento com o novo fármaco, contra 17,6% no caso dos que utilizaram o placebo.
Resultados semelhantes já tinham sido reportados em outro ensaio clínico de fase 3 levado a cabo pela farmacêutica responsável pelo AD109, a Apnimed, em 2025.
Continua após a publicidade Droga ainda é questionada por diversas limitações O AD109 vem atraindo interesse por ser uma alternativa pioneira de uso relativamente fácil (uma pílula oral) que promete dar uma opção de tratamento para pessoas que não querem ou não conseguem utilizar o CPAP.
Ainda assim, os resultados divulgados até o momento são vistos com cautela por especialistas.
No mesmo estudo em que reportou uma queda de 44,1% nos índices relacionados à doença, a farmacêutica admitiu que não houve qualquer ganho estatisticamente relevante no escore de fadiga reportado pelos pacientes.
Ou seja: a redução dos eventos medidos pelo AHI não necessariamente se refletiu em uma melhora sintomática percebida pelos participantes, ou em ganhos reais de qualidade de vida.
Além disso, um em cada cinco participantes abandonou o tratamento devido aos efeitos colaterais, que incluíam boca seca, insônia, náusea e hesitação urinária.
Embora não sejam considerados efeitos graves, essa alta taxa de descontinuação do AD109 torna menos robustos os números positivos: eles se referem apenas aos indivíduos “em tratamento”, medidos nas pessoas que efetivamente toleraram a droga pelas 26 semanas da análise.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em saude.abril.com.br — o conteúdo pertence a Veja Saúde.