Juros nos EUA batem maior nível desde 2007 com petróleo em alta e temor de inflação
O mercado de juros dos Estados Unidos voltou a acender o sinal de alerta nesta terça-feira (15).
A taxa do título de dívida americana com vencimento em 10 anos superou os 5% e atingiu o maior nível desde 2007, em um movimento alimentado pela alta do petróleo e pelo receio de que a inflação continue pressionando o Federal Reserve (Fed).
O rendimento do título de 10 anos chegou a 5,041% durante a sessão, o maior nível desde julho de 2007.
Depois, reduziu a alta, mas permanecia no patamar de 5%.
Esse título funciona como uma das principais referências para as taxas de juros no mundo.
Quando a taxa sobe, o financiamento tende a ficar mais caro para empresas e consumidores, além de aumentar a pressão sobre outros mercados de juros, inclusive o brasileiro.
O mercado passou a aumentar as apostas de que o banco central americano deve elevar os juros em 0,25 ponto nesta quarta-feira, diante de uma inflação que continua acima da meta de 2%.
Segundo a ferramenta FedWatch, da CME, os contratos indicavam uma probabilidade superior a 92% de uma alta de 0,25 ponto na reunião.
O problema é que o petróleo voltou a complicar o cenário para o Fed.
O barril do WTI ultrapassou US$ 105, em meio à continuidade do conflito entre Estados Unidos e Irã e ao bloqueio praticamente total do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas para o transporte mundial de petróleo.
A lógica é simples: petróleo mais caro aumenta os custos de energia, transporte e produção e pode pressionar a inflação.
Se o mercado acreditar que essa pressão vai persistir, passa a exigir uma remuneração maior para emprestar dinheiro por prazos mais longos.
E o movimento não ficou restrito ao título de 10 anos.
A taxa do título americano de 30 anos subiu para 5,364%, depois de alcançar 5,401% durante a sessão.
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