Bradesco sobe juros do crédito imobiliário: por quê? E os outros bancos?
O Bradesco elevou nesta semana as taxas de juros de algumas de suas linhas de crédito imobiliário, em um movimento que chamou atenção pela velocidade.
O reajuste ocorreu na segunda-feira (26), primeiro pregão após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quando os juros futuros dispararam e o mercado financeiro passou por um forte movimento de aversão ao risco.
A taxa mínima do financiamento habitacional residencial passou de 11,7% para 15% ao ano, mais Taxa Referencial, hoje em 2% ao ano.
Questionado sobre os motivos da decisão, o banco informou apenas que “atualizou as taxas máximas de suas linhas de crédito imobiliário em função do aumento verificado nas taxas de juros do mercado”.
A instituição acrescentou que as condições finais continuam sendo negociadas individualmente conforme o perfil do cliente e as características de cada operação, mas não respondeu aos questionamentos da reportagem sobre a velocidade do reajuste.
Para uma fonte relevante do mercado imobiliário com mais de duas décadas de atuação no sistema financeiro, o movimento parece ter sido uma reação ao salto observado nos juros futuros no penúltimo pregão.
Na avaliação da fonte, não se trata necessariamente de uma mudança estrutural imediata nas condições do crédito, mas de uma tentativa de proteção diante da volatilidade observada no mercado logo após as eleições.
“Foi um dia em que não havia praticamente preço para nada”, disse.
O papel das LCIs e dos juros futuros A explicação para o reajuste está na forma como os bancos financiam o crédito imobiliário.
Embora a poupança continue sendo a principal fonte de recursos do setor, concentrando quase 30% dos recursos, ela vem perdendo participação relativa nos últimos anos.
Leia mais: FGTS muda jogo e Abecip vê crédito imobiliário crescer 25% em 2026 As Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) respondiam por 19% do funding do sistema em dezembro de 2025, enquanto os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) representavam outros 10%, segundo dados da Abecip.
Juntos, os dois instrumentos somavam cerca de R$ 768 bilhões, o equivalente a 29% da estrutura de funding do mercado imobiliário.
Ambos são influenciados, direta ou indiretamente, pelo comportamento do CDI, que costuma estar atrelado a remuneração desses contratos, e da curva de juros futuro, que reflete as expectativas dos investidores para a trajetória das taxas de juros nos próximos anos – incorporando também fatores como inflação, risco fiscal e incertezas econômicas.
A fonte explica que os bancos já utilizam uma combinação de recursos da poupança com captações realizadas no mercado por meio de instrumentos como as LCIs.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.infomoney.com.br — o conteúdo pertence a InfoMoney.