Amyr Klink diz que mérito de travessia foi plano e alerta para excesso de coaches que ‘não fizeram nada’
Quarenta e dois anos depois do feito inédito, a travessia do Atlântico Sul em um barco a remo, narrada por Amyr Klink no livro Cem Dias Entre Céu e Mar , é adaptada para o cinema por Carlos Saldanha em 100 Dias , que estreia em 29 de outubro.
O Seu Dinheiro conversou com Amyr e assistiu ao filme.
Aos 71 anos, Amyr Klink resiste aos adjetivos “herói” e “aventureiro”.
Para ele, o grande mérito da travessia de 1984 narrada em Cem Dias Entre Céu e Mar (Companhia das Letras, R$94,90) foi o planejamento.
O livro é um diário de bordo da viagem de Lüderitz, na Namíbia, com destino a Salvador.
Traz anexos do projeto, mas é escrito em uma linguagem literária, clara e particularmente sensível, inspirada pelos relatos de navegadores como Gérard d’Aboville, Bernard Moitessier e Willy de Roos.
Caio Graco Prado, lendário editor da Brasiliense, foi o responsável por apresentar Amyr Klink a esses grandes navegadores na Livraria Francesa, espaço cultural agitado no Brasil dos anos 1970, vizinho da Editora Brasiliense no centro de São Paulo durante a época em que o navegador ainda era estudante.
Além dessa excelente formação náutico-literária, Amyr Klink ainda teria de se formar em economia na USP e trabalhar em um banco antes de se decidir pelo mar na travessia inédita do Atlântico Sul em um barco a remo cuja construção levou dois anos.
Amyr Klink durante evento de lançamento do filme "100 Dias" - Imagem: Redes sociais @amyrklink Jornada dupla O sucesso da travessia ofereceu a Amyr duas carreiras distintas, mas paralelas.
De um lado, se consolidou como navegador, realizando diversas expedições até a Antártica, tanto em equipe quanto sozinho; de outro, como palestrante.
Depois de mais de três mil palestras, Amyr não vê com bons olhos a proliferação de coaches pelo Brasil: “Hoje está cheio de gente preocupada com as receitas das palestras, dando conselhos sobre aquilo que não fazem.
Me irrita muito esses consultores e filósofos falando de como você tem que cuidar da sua empresa de construção, do seu bar, sendo que eles não fizeram nada.” O conselho de Amyr, ao contrário, é simples: “Não fique esperando o momento certo, vá e faça alguma coisa.
Comece pequeno e vá aos poucos.” Solidão e hiperconexão Em Cem Dias , Amyr Klink diz não ter sofrido solidão: ouvia a Radio France Internationale e uma fita com Vinícius de Moraes , ABBA e Elomar (que considera o maior compositor do Brasil), e estava acompanhado por todos que o ajudaram a se preparar.
Só sentia saudades.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.seudinheiro.com — o conteúdo pertence a Seu Dinheiro.