Ex-PM é acusado de vender informações a traficante por R$ 50 mil e ganhar moto de R$ 57 mil
O Ministério Público do Paraná (MPPR) denunciou um ex-policial militar pelos supostos crimes de associação para o tráfico de drogas e corrupção passiva . Segundo a denúncia, ele teria usado informações obtidas durante a função policial para ajudar um traficante que atuava no Litoral do Paraná e ainda obter vantagens em troca.
Os fatos investigados teriam ocorrido entre abril e agosto de 2022, nos municípios de Guaratuba e Paranaguá, quando o denunciado comandava a Ronda Ostensiva Tático Móvel (ROTAM) de Guaratuba.
De acordo com o MPPR, o outro investigado era apontado como um dos principais responsáveis pelo tráfico de drogas no Litoral e já havia sido alvo de investigações por crimes como furto, organização criminosa voltada ao tráfico e lavagem de dinheiro. Ele também tinha um mandado de prisão preventiva expedido no fim de 2022.
“Ele efetivamente se associa a um traficante de notoriedade regional e iniciam um relacionamento estável e duradouro. O policial concede vantagens ao traficante para que ele obtenha sucesso nas suas atividades”,
Conforme a denúncia, em abril de 2022, o então policial militar teria conseguido o número de telefone do traficante e entrado em contato com ele. Segundo o MPPR, o ex-PM teria se apresentado como um policial corrupto que trabalharia no setor operacional do Ministério Público.
Ainda de acordo com a investigação, o traficante teria oferecido R$ 50 mil mensais para que o policial fornecesse informações que favorecessem as atividades criminosas e ajudassem a mantê-lo em liberdade.
O policial, porém, teria feito uma contraproposta e sugerido que participaria diretamente das operações relacionadas ao tráfico.
As investigações identificaram conversas entre os dois por meio do aplicativo Threema. Para o Ministério Público, as mensagens indicariam que a relação não seria apenas uma eventual estratégia de investigação policial, mas uma atuação conjunta e estável ligada ao tráfico de drogas.
Entre as informações que teriam sido repassadas pelo então policial estavam dados sobre operações policiais, movimentações de equipes de segurança, prisões de traficantes e mandados de prisão.
Segundo a denúncia, ele também teria realizado consultas em sistemas policiais para verificar a existência de mandados contra pessoas indicadas pelo traficante.
O ex-PM ainda teria conseguido informações com outros policiais militares sobre operações e repassado os dados ao investigado.
Além da acusação de associação para o tráfico, o Ministério Público denunciou o ex-policial pelo crime de corrupção passiva.
Conforme a denúncia, em 24 de agosto de 2022, ele teria aceitado uma promessa de vantagem indevida que consistia em uma motocicleta Yamaha MT-09, avaliada na época em aproximadamente R$ 57 mil.
A vantagem estaria relacionada, segundo o MPPR, ao fornecimento de informações obtidas em razão da função policial, incluindo dados sobre operações, mandados de prisão, pessoas ligadas ao tráfico e abordagens.
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