Escola, faculdade e esporte: como conciliar carreiras?
Ao público externo a vida de atleta parece glamour e visibilidade.
Coisa de vagabundos , diriam os menos entusiasmados com a prática esportiva, o que levou, inclusive, o então prefeito Jânio Quadros a exonerar o funcionário público Adhemar Ferreira da Silva, ausente de seu posto na repartição pública na qual trabalhava para defender seu país e entoar o Hino Nacional ao receber sua medalha de ouro.
Passado mais de meio século, esse episódio segue vivo na memória de quem estuda transição e dupla carreira esportiva.
Muitas são as críticas em relação ao modelo de formação esportiva no País, cuja base reside não na escola, mas em clubes privados diante da falta de estrutura pública para a iniciação esportiva.
Observa-se historicamente um decréscimo de aulas de educação física nos currículos escolares impactando diretamente a vida de estudantes privados de uma cultura corporal de movimento, cuja iniciação deveria estar dentro da escola, como estão as demais disciplinas curriculares.
A prática esportiva entendida como um gesto motor aprimorado permite a estudantes em diferentes momentos de suas vidas uma experiência social de pertencimento e também de exploração de outros territórios com as competições em diferentes bairros, cidades e até países.
O que observo a partir das histórias de vida de atletas olímpicos é que, independentemente da escola, bairro ou cidade em que se estudou ou da classe social à qual se pertence, os entraves à vida de estudante-atleta são os mesmos.
As instituições de ensino, sejam elas em nível fundamental, médio ou universitário, não estão preparadas para acolher as pessoas que se dedicam ao esporte em razão de ausências causadas por treinos e competições.
E é curioso observar que esse cenário pouco mudou em décadas! A falta de entendimento do cotidiano de atletas leva as instituições a aplicarem as regras de forma draconiana, dificultando, ou impedindo, que a carreira escolar e universitária possa ser cumprida.
O advento da educação à distância tem facilitado o acesso a alguns cursos, impactando o pós-carreira de muitos atletas cuja transição é vivida entre os 30-40 anos, tempo de maturidade profissional para aqueles que tiveram uma vida escolar regular.
Essa discussão ganha impulso com a nova Lei Geral do Esporte, que aponta na direção sobre a responsabilidade de clubes, de federações e confederações sobre a formação geral de atletas e a importância dos estudos.
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