O retorno de José Mourinho à elite do futebol mundial
José Mourinho cometeu o maior erro de toda a sua carreira ao defender o meia Prestianni, do Benfica, no conflito racista com Vinicius Júnior. Menosprezou o racismo, insinuou que o brasileiro estava mentindo. Como prêmio, o Real Madrid validou seu trabalho e o trouxe de volta ao Santiago Bernabéu.
O erro imperdoável será perdoado por Vinicius Júnior e, a partir do próximo parágrafo, a tentativa é entender por que o Real Madrid o trouxe de volta ao protagonismo treze anos após sair do centro de treinamento de Valdebebas.
O Real Madrid precisa de uma grande marca, um escudo, um treinador que abra seus braços, como se fossem uma couraça de aço. Este é José Mourinho, o retorno.
Em suas últimas entrevistas, falou sobre respeito, carinho e desejo de que seus clubes do passado tenham sucesso. Falou sobre Internazionale, Roma, Tottenham, Manchester United. Citou o Benfica como um caso diferente. Em outras palavras, declarou seu benfiquismo. Confessou, quase, ser benfiquista de infância. Seu pai foi goleiro do Belenenses.
O Benfica foi a primeira experiência de Mourinho como técnico, em 2000. Um fiasco. Tio Antônio, tio de meu pai, dizia: "Temos um gajo lá em Lisboa que é como o vosso Luxemburgo. Arrogante, prepotente... Chama-se José Mourinho." Tinha vindo de experiência como assistente do Sporting e do Porto, assistente e tradutor de Bobby Robson nos dois clubes portugueses e, também, no Barcelona:
"Eu era o tradutor por ser o único a falar inglês, pá", disse-me José Mourinho, em 2008, em Belo Horizonte. De intérprete de Bobby Robson a assistente de Louis Van Gaal. Conviveu com Guardiola, assistente e craque do time. Depois, viraram rivais. Mourinho trazia o futebol mundial numa direção, compactação, jogo defensivo. Guardiola transformou-o, pressing e posse de bola.
Mourinho deixou de ser o Special One para ser o desafiante de Pep. Nunca mais foi o mesmo da época do título europeu de 2004, pelo Porto, ou do bicampeonato inglês pelo Chelsea. Mas foi campeão da Champions de 2010 pela Inter, eliminando o Barça de Guardiola, ganhou um dos três títulos espanhóis que disputou cabeça a cabeça, ápica da disputa Cristiano x Messi foi também de Pep x Mourinho.
O Real Madrid contratou Mourinho para vencer a décima Champions League. Neste ponto, fracassou. A décima Champions veio em 2014 com Ancelotti, na primeira temporada depois da saída de Mourinho do Bernabéu. A temporada seguinte, 2014/2015, foi a de seu último título nacional, a Premier League pelo Chelsea.
Mourinho nunca mais foi o mesmo. Ganhou a Liga Europa pelo Manchester United, em 2017, a Conference League pela Roma, em 2022. Nunca mais protagonista.
Neste sábado, ele reestreia no Campeonato Espanhol, pelo Real Madrid. É seu retorno ao protagonismo. Diz que Mourinho de 2026 ensina ao de 2013 a ser mais calmo. São como pai e filho. O Real quer que esta calma dê a Mourinho, e aos galácticos, a essência de troféus que o clube perdeu nas últimas duas temporadas.
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