Pesquisadores alertam: vai ser difícil manter satélites em órbita
A órbita baixa da Terra já chegou ao limite operacional seguro, segundo especialistas, e o cenário tende a piorar rapidamente.
Como o Olhar Digital noticiou neste domingo (30), mais de 34 mil satélites e detritos circulam pela região , e pelo menos 41 mil novos objetos devem ser lançados até 2034.
“Vai chegar um momento em que vão ter tantos objetos no espaço que vai ser difícil manter um satélite de grande porte em órbita sem que ocorram colisões”, disse Éder Martioli, pesquisador titular do Laboratório Nacional de Astrofísica (LNA/MCTI) e associado ao Instituto de Astrofísica de Paris, em entrevista ao Olhar Digital .
O que os radares não enxergam Radares conseguem rastrear detritos aproximadamente do tamanho de uma bola de softball, isto é, cerca de 10 centímetros.
Mas o que está abaixo disso é invisível aos sistemas de monitoramento, e é exatamente aí que mora parte do perigo.
Segundo estimativas da Agência Espacial Europeia (ESA), mais de 36 mil detritos com mais de 10 centímetros orbitam a Terra, somando cerca de 11 mil toneladas de material.
Considerando objetos menores que 10 centímetros, o número passa de 1 milhão.
Incluindo fragmentos entre 1 mm e 1 cm, o total pode chegar a mais de 130 milhões, segundo Wagner José Corradi Barbosa, diretor do LNA/MCTI, também em entrevista ao Olhar Digital .
O monitoramento desse lixo espacial é essencial para garantir a segurança dos nossos equipamentos que estão no espaço.
Éder Martioli, pesquisador titular do Laboratório Nacional de Astrofísica (LNA/MCTI) e associado ao Instituto de Astrofísica de Paris.
A reação em cadeia que ninguém quer ver O cenário mais temido pelos especialistas tem nome: Síndrome de Kessler .
O conceito foi formulado em 1978 pelo astrofísico Donald Kessler, então na NASA, que alertou que, a partir de certa densidade de objetos em órbita, as colisões passariam a gerar fragmentos mais rapidamente do que a atmosfera consegue consumir, criando uma reação em cadeia incontrolável.
Objetos rastreados em órbita da Terra – Créditos: ESA Em 2009, o próprio Kessler alertou que o ambiente orbital poderia já ter se tornado instável, segundo seu modelo.
O mecanismo é conhecido: uma colisão gera milhares de fragmentos, que podem atingir outros satélites, gerando mais fragmentos e assim por diante.
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