Brasil e EUA em rumos opostos: duas economias, duas inflações e uma disputa política
Na mesma quarta-feira (16), os bancos centrais das duas maiores economias das Américas apertaram botões opostos.
Nos Estados Unidos, o Federal Reserve (FED) elevou sua taxa básica em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,75% a 4% ao ano.
No Brasil, o Comitê de Política Monetária reduziu a Selic também em 0,25 ponto, de 14% para 13,75%.
A coincidência numérica não poderia esconder diferenças mais profundas.
De um lado, uma economia que volta a apertar a política monetária porque a inflação persiste, alimentada também pelas escolhas de Donald Trump.
De outro, um país que começa, com excessiva lentidão, a retirar o pé de um freio monetário acionado por tempo demais.
Os movimentos em direções contrárias contam uma história que vai muito além das decisões técnicas de dois bancos centrais.
Falam sobre inflação, crescimento, conflitos internacionais, tarifas, distribuição de renda e poder político.
Mostram ainda como a mesma variação de 0,25 ponto pode representar coisas muito diferentes: nos Estados Unidos, a confirmação de um novo aperto; no Brasil, um alívio ainda insuficiente diante de uma das taxas reais de juros mais elevadas do mundo.
Trump exige juros baixos, mas fabrica inflação O FED elevou os juros pela primeira vez desde 2023, contrariando as pressões reiteradas de Donald Trump por uma política monetária mais frouxa.
O presidente norte-americano quer crédito barato, valorização dos ativos, crescimento acelerado e uma economia aquecida às vésperas das eleições legislativas.
Mas pretende alcançar tudo isso ao mesmo tempo em que adota medidas que pressionam os preços: tarifas de importação, guerra comercial, estímulos fiscais seletivos, hostilidade contra parceiros tradicionais e uma política externa que amplia a instabilidade geopolítica e os riscos sobre o preço do petróleo.
Há uma contradição evidente.
Trump exige que o banco central reduza o custo do dinheiro, mas sua política econômica aumenta os custos de produção e de importação.
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