Lula joga aliados no ventilador
O levantamento do sigilo judicial do caso Master deu novo ritmo à retórica eleitoral de Lula. Embolado com Flávio Bolsonaro nas pesquisas, o candidato do PT saiu momentaneamente das cordas. Instalou um ventilador no centro do ringue. Não poupa da ventania nem os aliados.
Neste sábado, de passagem por Curitiba, Lula se autoatribuiu parte da responsabilidade pela iluminação dos porões do Master. Disse ter se queixado ao presidente do Supremo, Edson Fachin, da seletividade de André Mendonça, relator do inquérito sobre as estripulias de Daniel Vorcaro.
Lula declarou: "Eu estive com o presidente da Suprema Corte, que é aqui do Paraná, o presidente Fachin. Disse para ele que não era possível o cidadão que é o juiz relator ficar soltando matérias pinçadas, somente daquilo que interessava a ele." Referiu-se aos Bolsonaro em termos categóricos: "Vamos deixar tudo às claras, para ver quem é de verdade ladrão e corrupto neste país. A família Bolsonaro não escapa".
A certa altura, Lula evoluiu da perversão moral para a devassidão sexual: "Pode ficar certo, o Vorcaro já está preso. Mas agora vão começar a aparecer as orgias que ele fazia. As mulheres da Suíça, da Suécia para fazer sacanagem com muita gente da política. Quem faz putaria vai ser desmascarado."
Lula se referia a uma reportagem publicada na véspera pela revista Piauí . A notícia trouxe detalhes sobre uma orgia financiada por Vorcaro, em outubro de 2023, na boate Madame Satã, em São Paulo. Responsável pelos convites, o ex-ministro de Bolsonaro Fábio Faria trocou mensagens com Vorcaro. Informou que os senadores Davi Alcolumbre e Rodrigo Pacheco, além do ministro do Supremo Dias Toffoli, compareceriam à festa.
Fábio Faria foi específico quanto a Davi Alcolumbre: "Davi tá louco perguntando se as suíças vão vir. Se der vamos trazer." Vorcaro confirmou que "as suíças" ornamentariam o evento. Zeloso, esclareceu que seriam "novinhas".
Além da alusão "a quem faz putaria", Lula mencionou a crise que corrói a reputação de ministros do Supremo. Sem mencionar as mensagens radioativas enviadas por Vorcaro a Alexandre de Moraes, soou corrosivo. Estendeu às togas o mesmo padrão que impôs a Lulinha.
"Quando começaram a falar do meu filho, eu disse que meu filho não será protegido. Ele nasceu para fazer as coisas certas. E eu acredito na inocência dele. Mas se ele cometeu um erro, ele terá que pagar pelo erro. Isso vale para mim, isso vale para o meu filho, isso vale para qualquer ministro da Suprema Corte. Ninguém pode ser ministro da Suprema Corte para ficar rico."
Lula esqueceu de lembrar — ou lembrou de esquecer — que dividiu a mesa de jantar no mês passado com Davi Alcolumbre e Alexandre de Moraes. Em 4 de agosto, na residência do ministro do Supremo, os presidentes da República e do Senado fizeram as pazes.
Os dois estavam rompidos desde a articulação de Alcolumbre que resultou na rejeição da indicação do advogado-geral Jorge Messias para a Suprema Corte, em dezembro do ano passado.
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