É preciso enxergar o Tietê vivo por baixo da poluição
O que eu vi com meus próprios olhos foi um rio que nasce limpo, apesar de não imaculado, e vai desaguar na bacia do Paraná absolutamente lindo
Cocaína, agrotóxicos acima do limite, microplásticos desde a nascente. As manchetes sobre os resultados da Expedição Tietê 2025, realizada pela SOS Mata Atlântica, saíram todas com teor negativo. Eu mesma, quando montei a chamada para a notícia no site da instituição, destaquei: nenhum trecho do rio Tietê está livre de contaminação .
Talvez seja um vício da profissão, esse de focar sempre no que está ruim. O jornalismo e a sociedade civil, neste caso representada pela Fundação, devem mostrar o que precisa melhorar e cobrar o poder público. Os dados – aliás, fornecidos por quatro universidades públicas, cumprindo elas mesmas suas funções sociais – são realmente chocantes.
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Não seria ético não chamar atenção para o fato de que 25 tipos de agrotóxicos foram encontrados no rio, cujas seis grandes represas fornecem água e energia para milhões de pessoas e negócios. A atrazina, por exemplo, é um herbicida de uso proibido na União Europeia desde 2004, mas ainda aplicada no Brasil, e foi detectada acima dos nossos limites legais em mais de um trecho. A equipe do CEMA-USP (Centro de Estudos Mesoamericanos, Amazônicos e Andinos da Universidade de São Paulo), responsável por esta linha de pesquisa, alertou ainda que muitas substâncias não são reguladas, e que outras moléculas, usadas principalmente na atividade agrícola, não foram investigadas devido à dificuldade de detecção. Ou seja: o cenário pode ser ainda pior.
A presença de até 23 mil partículas de microplástico por metro cúbico na água do Tietê também é uma questão impossível de ser ignorada, uma vez que já existem pesquisas comprovando a relação entre esses resíduos e o aumento de doenças no corpo humano. É uma questão de saúde, interesse público indiscutível.
Assim, eu não deveria me surpreender e muito menos me incomodar com a decisão da imprensa de escancarar a triste situação do Tietê retratada pelo relatório.
Pois eu testemunhei a expedição em primeira mão. O dia um da viagem coincidiu com o meu aniversário e eu o comemorei bebendo a água da nascente, em Salesópolis (à minha própria conta e risco, diga-se de passagem). Foi um início emocionante para uma viagem que seria uma montanha-russa de sentimentos. Especialmente para alguém que é, ao mesmo tempo e há alguns anos já, jornalista e ativista – condição que muitos professores da faculdade diriam ser uma contradição.
Independentemente do meu ambientalismo, o que eu vi com meus próprios olhos foi um rio que nasce limpo, apesar de não imaculado, e vai desaguar na bacia do Paraná absolutamente lindo.
Eu vi, claro, e principalmente senti, a poluição a que ele começa a ser submetido logo que escorre para trechos mais urbanizados.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oeco.org.br — o conteúdo pertence a O Eco.