Aspas em 'Lulinha' e 'Fl�vio'
Jornalista e escritor, autor das biografias de Carmen Miranda, Garrincha e Nelson Rodrigues, é membro da Academia Brasileira de Letras
Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.
Alexandra Moraes , ombudsman da Folha , perguntou neste domingo (5) por que Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente, é chamado pela imprensa e pela oposição de " Lulinha " se ninguém, íntimo ou não íntimo, o chama desse jeito. Ela mesma explicou: o tratamento surgiu na Folha há 20 anos, já numa história mal contada envolvendo dinheiro. Como o rapaz foi repetente no quesito, a oposição adotou o diminutivo, ideal para atingi-lo e ao seu pai. Mas, diz Alexandra, um apelido usado como arma política não deveria ser encampado pelo jornal.
Há alguns meses, aqui neste espaço, chamei a atenção para a leveza com que a imprensa estava se referindo ao então pré-candidato Flávio Bolsonaro , tratando-o de "Flávio" com uma familiaridade que não dispensava nem ao pai dele, o ex-presidente e presidiário Jair Bolsonaro . De fato, nos títulos e manchetes dos jornais, Jair Bolsonaro nunca foi chamado de "Jair". Foi sempre e só "Bolsonaro", como deve ser.
É verdade que, se um veículo se referir a Flávio Bolsonaro apenas como "Bolsonaro", os leitores poderão confundi-lo com seu apenado pai, daí a decisão de reduzi-lo a "Flávio". Mas "Flávio" não existe, a menos que se acrescente o "Bolsonaro" —é o que as pesquisas estão demonstrando. Mesmo com os desastres de campanha, levando seus apoiadores ao desespero, e por mais inviável que seja como candidato, ainda tem números invejáveis, graças ao nome e ao sobrenome no varal.
Daí ser surpreendente a decisão dos marqueteiros de passar a chamá-lo só de "Flávio", não mais de "Flávio Bolsonaro". Com isso, querem vender a imagem de alguém próximo, palpável. Mas quem quer estar próximo de "Flávio" e, pior ainda, apalpá-lo? A prova disso é que seu nome não é citado nem nos palanques de seus supostos aliados, os candidatos a governador.
Uma solução tanto para "Lulinha" quanto para "Flávio" é que passemos a nos referir a eles entre aspas. Aspas dão um sentido irônico a um nome e denotam algo de fake no sujeito. Como um rabo de papel que se pendura em alguém.
LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha de S.Paulo.