Canadá reage a tarifaço de Trump e guerra comercial ameaça encarecer carros, casas e gasolina nos EUA
Depois do Brasil, agora é a vez do Canadá reagir ao tarifaço de Donald Trump com medidas de reciprocidade. Após o fracasso das negociações comerciais entre os dois países, o governo americano impôs tarifas de 50% sobre determinados produtos canadenses.
Trump também ameaçou ampliar a disputa. A partir de janeiro, o presidente americano pretende elevar para 50% as tarifas sobre carros, caminhões, autopeças e produtos de aço importados do Canadá .
Carney justificou a decisão afirmando que as condições apresentadas pelos Estados Unidos durante as negociações eram injustas e economicamente desfavoráveis para o Canadá.
"Eles pediram demais e ofereceram muito pouco", afirmou o primeiro-ministro.
O governo canadense também deixou claro que a escolha dos produtos americanos atingidos pelas tarifas não foi feita por acaso. A ministra canadense da Indústria, Mélanie Joly, afirmou que Ottawa selecionou estrategicamente mercadorias produzidas em determinados estados americanos numa tentativa de aumentar a pressão política sobre o governo Trump.
A disputa entre os dois vizinhos ganhou também um capítulo simbólico. Nesta quinta-feira (27), Donald Trump assinou uma ordem executiva determinando que o Lago Ontário passe a ser chamado de "Lago América" nos Estados Unidos.
O lago faz parte da fronteira entre os dois países. Ao norte está a província canadense de Ontário e, ao sul, o estado americano de Nova York.
A ordem executiva determina que o Departamento do Interior atualize, dentro de 30 dias, o nome usado nos registros geográficos dos Estados Unidos. A decisão, no entanto, não tem efeito sobre o território canadense e Trump não pode obrigar o Canadá a adotar a nova denominação.
Carney reagiu lembrando que o nome Ontário tem raízes indígenas e é anterior tanto à Confederação Canadense quanto à Declaração de Independência dos Estados Unidos.
A mudança de nome ocorre em meio a uma série de provocações de Trump contra o país vizinho. Desde que retornou à Casa Branca, o presidente americano já sugeriu diversas vezes que o Canadá deveria ser incorporado aos Estados Unidos como o 51º estado.
Apesar de as tarifas canadenses só entrarem em vigor em 8 de setembro, por enquanto não há sinais de que Washington e Ottawa pretendam retomar as negociações.
O representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, afirmou que não há novas conversas previstas e resumiu a posição de Washington dizendo que os americanos "já falaram o suficiente".
A dimensão da disputa preocupa porque o Canadá é um dos maiores parceiros comerciais dos Estados Unidos, atrás apenas do México.
O impacto imediato das novas tarifas americanas, porém, deve ser mais limitado do que a alíquota de 50% pode sugerir. Por causa das exceções previstas, as novas taxas atingem cerca de 5% dos US$ 382 bilhões em produtos canadenses importados pelos Estados Unidos em 2025.
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