De ‘Ameaça Vermelha’ a Maior Parceiro Comercial: 52 anos de relações Brasil-China
Há exatos 52 anos, em 15 de agosto de 1974, Brasil e China assinavam o comunicado conjunto que oficializava suas relações diplomáticas.
O passo inicial foi modesto, mas visionário: o governo Geisel via na aproximação com a China uma oportunidade de diversificar parcerias e ampliar horizontes comerciais.
O que se seguiu foi uma evolução gradual, interrompida por turbulências internas e retomada com força nos anos 1990, até se tornar, nas duas últimas décadas, uma das relações bilaterais mais dinâmicas e multifacetadas do planeta.
A decisão de Geisel, em plena Guerra Fria, foi pragmática.
Ao longo de sua história, o Brasil sempre buscou o não alinhamento, defendendo seus próprios interesses como nação soberana.
Acontece que bem antes dele, o então vice-presidente João Goulart, durante o governo do presidente Jânio Quadros, tornou-se o primeiro líder brasileiro a visitar a China republicana, em 1961, exatamente com o mesmo propósito de diversificar parcerias e abrir novos mercados.
Jango estava em Beijing quando Jânio renunciou.
Ele era o sucessor constitucional, mas sua ausência e suas posições políticas de esquerda criaram uma grave crise institucional: seus planos de reformas de base (como a reforma agrária) preocupavam a elite nacional.
No fim das contas, Jango foi obrigado a aceitar uma emenda constitucional aprovada pelo Congresso, que mudou o sistema de governo de presidencialista para parlamentarista, permitindo sua posse como presidente, mas esvaziando seus poderes.
Os acordos celebrados em Beijing previam missões e exposições comerciais, um canal oficial para transações financeiras intermediadas pelos bancos centrais dos dois países, e vistos para jornalistas chineses.
Sob intensa pressão, Jango freou essas iniciativas por anos, e mesmo assim acabou deposto por um golpe de Estado.
Para justificar o golpe, os militares prenderam justamente os jornalistas e comerciantes da missão chinesa, que foram torturados e responderam por acusações absurdas e sem sentido, até finalmente serem expulsos do país.
Até hoje não tiveram sua inocência reconhecida pela justiça brasileira.
Os interesses em jogo ontem Por que motivo a mesma busca por relações bilaterais com a China que levou ao golpe contra Jango foi aceita sob o regime de Geisel? Para entender isso precisamos analisar as conjunturas interna e externa do país nos dois momentos.
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