Mulheres com filhos apostam 1,6 vez mais que as sem filhos, diz estudo
Ao todo, 42% das mulheres brasileiras afirmam que já apostaram em plataformas online. Desse grupo, 20% são apostadoras atuais, com diferentes frequências, e 22% são ex-apostadoras. Entre as mulheres que continuam jogando, 72% têm filhos.
O resultado chama atenção porque ocorre em um cenário no qual as mulheres também relatam forte pressão financeira. Segundo o estudo, 64% dizem que o custo de vida aumentou no último ano, enquanto 56% afirmam estar endividadas. Entre as endividadas, 56% dizem que a dívida atual é maior do que a registrada no ano anterior.
A pesquisa considera como “bets” as plataformas de apostas de quota fixa regulamentadas pela legislação brasileira, incluindo apostas esportivas, cassinos virtuais e jogos de sorte instantânea, como os chamados crash games. Os termos “vício” e “dependência”, usados no levantamento, representam a percepção das próprias entrevistadas e da opinião pública, e não diagnósticos médicos.
A relação entre apostas e orçamento doméstico ganha outra dimensão quando considerada a responsabilidade financeira dentro das famílias. Mais da metade das mulheres, 52%, afirma ser a principal responsável pela administração do dinheiro da casa. Entre as prioridades estão a compra de alimentos, citada por 68%, e o pagamento de contas como água, luz, gás e internet, mencionado por 65%.
Ainda assim, entre as apostadoras, aparecem situações em que o dinheiro destinado a outras necessidades foi comprometido para manter o jogo. 12,9% afirmam ter recorrido ao cartão de crédito ou ao cheque especial, enquanto 8,6% utilizaram dinheiro de alguma reserva bancária.
Outras 8,1% deixaram de pagar alguma conta e 5,7% pediram dinheiro emprestado. Em situações mais graves, 4,8% ficaram inadimplentes e 4,3% disseram ter deixado de comprar comida. Para 2,9%, o corte atingiu algo destinado aos próprios filhos.
O levantamento também mostra que o impacto não fica restrito a quem aposta. 12% das brasileiras nunca apostaram, mas dizem ser diretamente afetadas pelas apostas de parentes ou amigos próximos. Somadas às mulheres que apostam ou já apostaram, 54% das brasileiras relatam ter sentido algum efeito direto desse fenômeno.
Entre as mulheres impactadas pelas apostas de terceiros, 14,4% dizem que a família precisou pedir dinheiro emprestado e a mesma proporção relata ter deixado de pagar alguma conta. Para 9,8%, a renda ou o orçamento doméstico foi prejudicado. Há ainda relatos de uso de cartão de crédito ou cheque especial (9,1%) e até de empréstimos com agiotas (7,6%).
O dinheiro também aparece entre os principais motivos que levam as mulheres a apostar. 21,5% das apostadoras dizem jogar em busca de uma renda extra, enquanto 18,7% afirmam fazê-lo para ganhar dinheiro rapidamente. Outras 15,8% apostam para complementar a renda e ajudar nas despesas básicas da casa e 11,5% para quitar uma dívida.
A pesquisa também identificou uma percepção de habilidade e controle entre parte das jogadoras. 25% das mulheres concordam que, para vencer nas apostas, é preciso ser habilidoso.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.correiobraziliense.com.br — o conteúdo pertence a Correio Braziliense.