Orçamento de 2027 não traz alívio fiscal e possui ‘metas ousadas’, avaliam economistas
O Projeto de Lei Orçamentária Anual ( PLOA ) de 2027 , apresentado pelo governo na segunda-feira (31), não deve trazer o alívio esperado para as contas públicas. Na avaliação do Inter, a proposta continua apostando no crescimento da arrecadação para financiar uma nova expansão das despesas.
“A proposta de lei orçamentária para 2027 não traz alívio fiscal. Novamente, o governo se baseia em crescimento de receita para cobrir mais um forte aumento de gastos, ainda distante do teto estabelecido no arcabouço em 2023”, afirma a economista-chefe do Inter, Rafaela Vitória.
O Ministério do Planejamento e Orçamento projeta um superávit primário de R$ 18,6 bilhões para o próximo ano. O resultado representaria uma melhora em relação a 2026, para quando o Inter estima déficit de R$ 68 bilhões . Ainda assim, o banco considera que a meta está apoiada em premissas otimistas para a atividade econômica e a arrecadação , além de subestimar despesas obrigatórias .
O PLOA considera crescimento de 2,5% do Produto Interno Bruto ( PIB ) em 2027. A projeção supera a estimativa de 1,5% do mercado citada pelo Inter e ocorre em um cenário de desaceleração da economia e de política monetária restritiva por mais tempo .
Pelo lado das receitas, o governo espera crescimento nominal de 7% da arrecadação bruta. Como os repasses devem avançar menos, a receita líquida projetada fica 10% acima da prevista para 2026.
Para o Inter, trata-se de uma meta “bastante ousada” para uma economia em moderação. O governo também trabalha com inflação de 3,6%, abaixo da mediana das projeções do mercado.
Enquanto as receitas dependem de uma atividade econômica mais forte, as despesas devem continuar avançando. O Inter calcula que o gasto total chegará a R$ 2,83 trilhões em 2027, aproximadamente R$ 185 bilhões acima do previsto para 2026.
O aumento representa uma expansão de 3,2% acima da inflação. Segundo o banco, o acréscimo é praticamente equivalente ao espaço aberto pela PEC da Transição, aprovada no fim de 2022 para ampliar os gastos a partir de 2023.
A instituição também vê risco de subestimação das despesas obrigatórias. O Orçamento prevê queda real em gastos com Previdência, Benefício de Prestação Continuada ( BPC ) e salários .
Na avaliação de Vitória, alcançar esses números exigirá maior controle e uma revisão dos benefícios que vá além do combate a irregularidades.
A economista aponta como aspecto positivo o aumento das despesas discricionárias, sobre as quais o governo tem maior controle. Isso cria mais espaço para bloqueios ao longo do ano. Diante das premissas adotadas pelo PLOA, porém, o Inter considera o contingenciamento “inevitável”.
O ASA também vê fragilidade no superávit apresentado pelo governo. Segundo Jeferson Bittencourt, head de macroeconomia da instituição, o resultado depende de uma arrecadação forte e da forma como a meta fiscal será administrada durante 2027.
Nos cálculos apresentados pelo economista, o governo trabalha com crescimento de 2,46% do PIB, enquanto os melhores preditores do Boletim Focus esperam avanço de 1,64%.
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