A psicologia revela por que pessoas inteligentes costumam adiar tarefas simples até o último momento
Inteligência não impede que tarefas pequenas sejam empurradas para depois
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR Ser bom em resolver problemas não impede ninguém de deixar uma tarefa para depois. A pesquisa sobre procrastinação mostra que o adiamento está mais ligado ao desconforto da tarefa, à recompensa distante e ao controle dos impulsos do que à inteligência. Por isso, até uma atividade simples pode ficar para a última hora quando começar parece pouco atraente.
Não há boa evidência de que maior inteligência faça uma pessoa procrastinar mais . A frase do título descreve uma situação possível, mas não uma relação causal estabelecida pela psicologia.
Uma pesquisa com 451 estudantes encontrou, inclusive, relação negativa entre inteligência e procrastinação acadêmica. Outros trabalhos ligam o adiamento a falhas de autorregulação e função executiva, e não a uma vantagem intelectual.
Uma tarefa pode ser simples e ainda assim parecer chata, sem recompensa imediata ou emocionalmente desagradável . Quando isso acontece, atividades mais atraentes ganham espaço, mesmo que a pessoa saiba exatamente como concluir o trabalho.
A meta-análise de Piers Steel, publicada no Psychological Bulletin , reuniu 691 correlações e encontrou alguns fatores muito mais consistentes que inteligência:
Quando o prazo se aproxima, a consequência deixa de parecer distante. O custo de continuar adiando cresce e a tarefa ganha urgência, o que pode aumentar a motivação para começar.
Isso não significa que trabalhar no último minuto seja uma estratégia melhor. O mesmo comportamento pode aumentar estresse e reduzir o tempo para revisar erros.
Não. Inteligência, memória de trabalho, planejamento, inibição e controle de impulsos são conceitos relacionados, mas não idênticos. Uma pessoa pode raciocinar muito bem e ainda ter dificuldade para transformar intenção em ação.
Um estudo de Gustavson e colegas encontrou relação entre maior procrastinação e pior desempenho geral em funções executivas. A literatura também separa capacidade cognitiva de autorregulação:
Reduzir o tamanho do primeiro passo costuma ajudar mais do que esperar vontade. Transformar “fazer o relatório” em “abrir o arquivo e escrever o primeiro parágrafo” diminui a barreira de entrada.
Uma pesquisa recente sobre procrastinação reforça o papel da autoeficácia , a percepção de que a pessoa consegue executar o que precisa fazer. Quanto mais concreto e possível parece o primeiro passo, menor tende a ser a resistência.
O ponto central é que inteligência não protege automaticamente contra procrastinação . Saber fazer e começar a fazer são problemas diferentes.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.