Artista amazonense cria instalação em Manaus que expõe as dificuldades da produção artística no estado
Exposição é realizada em sala completamente revestida por plástico preto, atravessada por uma névoa constante e iluminada por luz roxa.
Raphael Alves “Um espaço onde a ausência, o bloqueio e a suspensão se tornam matéria expositiva”.
É assim que o artista Ricardo Libertino resume o seu novo trabalho, a instalação “Fora de Vista”.
Com entrada gratuita e abertura nesta sexta (18), a partir de 18h, na Casa das Artes, localizada no centro histórico de Manaus, a obra reflete sobre os obstáculos enfrentados por quem produz arte no Amazonas.
Conhecido por ações conceituais e experimentais que tensionam corpo, matéria e espaço, o amazonense explica que a instalação surgiu a partir da impossibilidade de realizar a exposição originalmente concebida para ocupar integralmente a antiga construção no Largo de São Sebastião.
“Desenvolvido ao longo de um ano, o projeto inicial previa uma ocupação ampla do prédio, articulando diferentes trabalhos, espacialidades e ações.
No entanto, em meio às instabilidades políticas do período e às limitações institucionais, a proposta foi reduzida a apenas uma sala de 5m x 5m, acompanhada do pedido de que fosse adaptada ao novo contexto.
No lugar de simplesmente reorganizar ou diminuir a mostra original, decidi transformar essa interrupção no próprio núcleo do trabalho”, pontua. 📲 Participe do canal do g1 AM no WhatsApp Libertino detalha que toda a sala é completamente revestida por plástico preto, atravessada por uma névoa constante e iluminada por luz roxa.
Para visualizar a instalação, o visitante precisa se aproximar e olhar por meio de pequenos furos no plástico, tendo acesso apenas a visões fragmentadas.
Agora no g1 “No interior, não estão as obras finalizadas da exposição interrompida e sim os materiais e estruturas do que seria apresentado: moldes, protótipos em diferentes escalas, caixas de armazenamento, vidros recortados, quadros e esculturas embalados, outros componentes e itens de montagem", diz.
Uma planta viva também ocupa o espaço, com a proposta de crescer ao longo dos três meses em que a instalação estiver exposta.
De acordo com o artista, que utiliza máscaras em suas aparições, o trabalho opera a partir da recusa, da inibição e da impossibilidade de visualização completa, transformando a tentativa de ver em parte central da experiência.
“A precariedade estrutural da produção artística, atravessada por um sistema de mercado e validação concentrado no eixo Rio-São Paulo, que frequentemente torna outras regiões invisíveis ou menos legitimadas.
Também evidencia as negociações institucionais que definem o que pode ou não ser mostrado, além das tensões políticas que atravessam a circulação da arte contemporânea no Amazonas”, salienta.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em g1.globo.com — o conteúdo pertence a G1 Amazonas.