Os 20 melhores filmes do século XXI, segundo Paul Thomas Anderson
Paul Thomas Anderson é um dos raros diretores de Hollywood cujo amor pelo cinema não cabe em lista de Letterboxd.
Desde os anos 1990, o homem por trás de Boogie Nights (1997) e Sangue Negro (2007) acumulou uma filmografia obsessiva e um repertório ainda mais vasto de referências, tendo atuado como programador convidado da Turner Classic Movies para contextualizar Uma Batalha Após a Outra (2025), seu trabalho mais recente, com clássicos como A Batalha de Argel (1966) e Rastros de Ódio (1956).
Quando Anderson compartilhou sua lista dos vinte melhores filmes do século XXI (via FarOut Magazine ), ficou claro que o homem assiste a tudo, do blockbuster mainstream ao cinema mais silencioso do planeta, sem qualquer hierarquia de prestígio entre eles.
O que salta imediatamente da lista é a recorrência do cineasta tailandês Apichatpong Weerasethakul , que aparece não uma, não duas, mas três vezes.
Mal dos Trópicos (2004), Síndromes e um Século (2006) e Tio Boonmee, Que Pode Recordar Suas Vidas Passadas (2010), Palma de Ouro em Cannes, formam um bloco que revela onde Anderson busca o cinema que de fato o alimenta.
Weerasethakul opera em um registro único no audiovisual contemporâneo: seus filmes vivem na fronteira entre o real e o sobrenatural, entre o documentário e o sonho, sem jamais resolver a tensão entre esses mundos.
Que um diretor como Anderson , conhecido pela câmera em movimento perpétuo e pela precisão narrativa, se curve tanto a uma obra assim diz muito sobre a amplitude do seu apetite cinematográfico.
Mas a lista recusa qualquer pretensão de purismo.
Quase Famosos (2000), de Cameron Crowe , e Encontros e Desencontros (2003), de Sofia Coppola , convivem na mesma seleção com Ted (2012), a comédia de animação adulta de Seth MacFarlane , e com Entrando Numa Fria (2000), o blockbuster de Jay Roach com Ben Stiller e Robert De Niro .
Papai Noel às Avessas (2003) e Cabana do Inferno (2002), o terror B de Eli Roth , completam esse lado mais despretensioso da curadoria.
Longe de ser contradição, essa mistura revela um cineasta que nunca separou o prazer popular do prazer artístico, e que enxerga tanto a gargalhada fácil quanto o plano lento de cinco minutos como expressões igualmente legítimas do que o cinema pode fazer.
Um dos títulos mais comentados da lista é Gunda (2020), documentário do cineasta russo-norueguês Viktor Kossakovsky filmado em preto e branco, sem narração e sem trilha sonora, que acompanha o cotidiano de uma porca e seus filhotes em uma fazenda.
Anderson o descreveu com uma generosidade quase litúrgica: “Este é um filme para se banhar dentro.
Ele está despido até seus elementos essenciais, sem qualquer interferência.” E foi além: “É mais como uma poção do que um filme”.
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