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Corte na Selic é insuficiente para destravar economia, diz setor produtivo

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Corte na Selic é insuficiente para destravar economia, diz setor produtivo

O corte da taxa básica de juros de 14% para 13,75% ao ano foi considerado insuficiente por representantes da indústria, do comércio e da construção civil para destravar a atividade econômica do país. Os empresários alertaram que a manutenção de taxas restritivas de dois dígitos desde 2022 drena a competitividade das empresas e freia projetos de longo prazo.

A manutenção prolongada de juros em patamares elevados paralisa novos empreendimentos e ameaça o planejamento de longo prazo. A atividade da construção civil sentiu a perda de ritmo ao recuar 0,4% entre abril e junho, acumulando retração na capacidade de investimento. "Estamos com juros de dois dígitos desde o início de 2022, o que representa um grande desafio para o empresário, especialmente em um setor como a construção, que trabalha com projetos de longo prazo e depende de crédito e previsibilidade", afirma o presidente da CBIC, Eduardo Aroeira Almeida.

O setor diz que a lentidão do BC em reduzir o custo do dinheiro impede a criação de emprego e novos projetos. "Quando as taxas permanecem elevadas por muito tempo, o impacto não fica restrito à atividade no presente: ele alcança também as decisões sobre novos projetos e pode comprometer os investimentos futuros", adverte a economista-chefe da CBIC, Ieda Vasconcelos.

A indústria cobra maior equilíbrio nas contas federais para impedir que a Selic contenha sozinha a subida de preços. Para o setor, as taxas elevadas aumentam o custo do capital, adiam a modernização de fábricas e limitam a capacidade de o Brasil competir internacionalmente. "Não é sustentável exigir que os juros carreguem praticamente sozinhos o peso do controle inflacionário, enquanto medidas expansionistas atuam na direção contrária", diz o economista-chefe da Fiemg (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais), João Gabriel Pio.

A Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) classificou o corte como tímido. A entidade alertou que o custo do crédito elevado segue sufocando o orçamento de empresas e famílias. As taxas de dois dígitos minam as contratações e atrasam a modernização das linhas de produção do estado, afirma. "Juros elevados por tempo prolongado, somados ao descontrole dos gastos públicos, sufocam famílias e empresas, travando os investimentos e a retomada do crescimento do Brasil", afirma o presidente da entidade, Paulo Skaf.

Já o comércio alerta que os gastos públicos federais em ano eleitoral limitam o espaço para novos cortes. A federação comercial paulista sustentou que a redução de 0,25 ponto não decorreu de melhora macroeconômica, mas da preservação da credibilidade técnica da diretoria do Banco Central. "Com a continuidade da política fiscal expansionista, a fragilidade das contas públicas e um ambiente de inflação acima da meta, o BC acaba obrigado a manter os juros altos por mais tempo, reduzindo a eficácia da política monetária e elevando o custo social do controle inflacionário", avalia a FecomercioSP em nota.

Para os representantes do comércio paulista, o corte atual de juros será temporário se a equipe econômica não contiver as despesas obrigatórias.

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