Salto: BC demorou para reduzir juros, e Brasil está na contramão do mundo
Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× O Banco Central demorou para começar a reduzir a Selic, chegou a elevar os juros até 15% e agora o Brasil tenta cortar "o máximo que é possível" em um cenário externo mais difícil, avaliou o colunista Felipe Salto no UOL News - 2ª edição , do Canal UOL.
Qual foi o erro do Banco Central? O BC aumentou a taxa de juros até 15% e demorou muito para começar a reduzir. Quando iniciou esta redução, veio a guerra, o conflito no Oriente Médio e ele ficou de mãos amarradas. Por isso que nós estamos na contramão do mundo.
O mundo está aumentando a taxa de juros nesse momento porque fez o que precisava fazer do ponto de vista de uma política mais expansionista, monetária, portanto com uma redução dos juros no momento certo. Felipe Salto, colunista do UOL
Na análise do colunista, o comunicado do Copom indicou cautela diante de pressões externas, como petróleo e juros americanos, e também por causa de expectativas de inflação ainda acima da meta, segundo a pesquisa Focus citada pelo BC.
Salto disse que o Banco Central precisa equilibrar vários fatores ao mesmo tempo, porque a alta de juros nos EUA pode reduzir o diferencial de juros e pressionar o câmbio, elevando o custo do dólar em reais e, com isso, a inflação.
É urgente que se faça uma mudança nessa composição da política econômica que permita a redução da Selic de uma maneira mais efetiva e intensa.
As famílias estão endividadas, e as empresas com pedidos de recuperação judicial e falência muito altos para o histórico recente. O próprio governo vem sofrendo com essa cunha financeira de juros tão altos. Felipe Salto, colunista do UOL
Para ele, a saída passa por um "choque de credibilidade" na política fiscal, para destravar a queda dos juros sem aumentar a percepção de risco e sem pressionar ainda mais as expectativas de inflação.
É preciso haver uma mudança dessa política monetária e, a meu ver, o que a precede é um choque de credibilidade na política fiscal. Será preciso fazer isso para que se possa desfazer esse nó que é tão prejudicial à dinâmica econômica e social do país. Felipe Salto, colunista do UOL
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