Zelensky descarta realizar eleições em tempo de guerra: 'destruiriam a Ucrânia'
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, avalia que a realização de eleições em tempo de guerra representaria um perigo para o país. A declaração é uma resposta ao apelo de seu ex-ministro da Defesa para a convocação da votação.
O mandato presidencial de Zelensky expirou em maio de 2024. No entanto, nenhuma eleição pode ser organizada na Ucrânia sob a lei marcial, em vigor desde o início da invasão russa em larga escala, lançada em fevereiro de 2022.
"Acho que, em uma guerra como esta, a realização de eleições seria um risco enorme", afirmou Zelensky. Ele considera que a votação representaria um "tsunami" que "dividiria a Ucrânia", segundo declarações divulgadas neste domingo (23).
O presidente ucraniano deu as declarações durante o primeiro encontro com jornalistas em vários meses. Foi a primeira coletiva de Zelensky após uma série de controvérsias políticas, incluindo a demissão, em meados de julho, do jovem e popular ministro da Defesa, Mykhailo Fedorov.
Fedorov causou grande repercussão na terça-feira (18) ao divulgar um vídeo com aparência de propaganda eleitoral. Na gravação, o ex-ministro denuncia a corrupção e pede , sem muitos detalhes, a "restauração de um processo democrático" por meio de eleições, apesar da invasão russa ao país.
Antes de convocar eleições que "destruiriam a Ucrânia" neste momento, Zelensky defende a estratégia de "conduzir o país ao fim da guerra e preservar um Estado independente e soberano".
Analistas também destacam o enorme desafio logístico que uma eleição representaria sob os bombardeios russos e nos territórios ocupados por Moscou. Organizar uma votação exigiria lidar com inúmeros obstáculos, como o voto dos militares mobilizados no campo de batalha, dos milhões de refugiados que vivem no exterior.
"Isso é impossível nas condições atuais, quando (o presidente russo Vladimir) Putin não está disposto a negociar um cessar-fogo", acrescentou Zelensky.
As declarações de Fedorov causaram desconforto até mesmo entre seus apoiadores. Segundo a mais recente pesquisa de opinião do Instituto Internacional de Sociologia de Kiev (KIIS), realizada entre julho e agosto, apenas 15% dos entrevistados defendem a votação antes do fim da guerra. A maioria dos ucranianos (57%) deseja que as eleições sejam realizadas somente após o término do conflito.
A demissão de Fedorov provocou manifestações que reuniram milhares de pessoas nas ruas de várias cidades do país. Os protestos levaram o presidente ucraniano a substituir também o comandante do Exército, Oleksandr Syrskyi, considerado rival de Fedorov.
Zelensky defendeu o direito dos cidadãos de protestar, mas alertou contra atitudes "desrespeitosas" em relação às Forças Armadas. Ele também ressaltou o "risco" de uma divisão "entre a sociedade e os soldados".
No campo militar, ele reafirmou que Moscou planeja mobilizar mais 300 mil homens para a frente de batalha na Ucrânia após as eleições legislativas russas (16 a 20 de setembro).
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