Aquecimento dos oceanos favorece bactéria 'comedora de carne' nos EUA
O aumento de casos de infecções causadas por uma bactéria conhecida popularmente como "comedora de carne" está preocupando autoridades de saúde nos Estados Unidos. Com o aquecimento dos oceanos, novos alertas vêm sendo emitidos sobre as condições que favorecem a proliferação do patógeno.
Estado da Louisiana registrou nove casos de infecção em agosto, com cinco mortes. O número supera a média dos dez anos anteriores, de sete casos e uma morte por ano.
Situação também chama atenção na Flórida. Até o fim de julho, o estado havia confirmado doze casos e uma morte.
Em comunicado, o governo da Louisiana alertou frequentadores de praias durante o verão. "Procure atendimento médico imediatamente se uma ferida exposta à água salobra ou salgada ficar vermelha, inchada, dolorida, quente ou descolorida. Informe o profissional de saúde sobre a exposição à água", orientou.
Embora existam diversas espécies do gênero Vibrio capazes de causar infecções em humanos, a Vibrio vulnificus é a que mais preocupa. A bactéria pode provocar fasciíte necrosante, uma infecção grave que destrói tecidos, e por isso ficou conhecida popularmente como "bactéria comedora de carne".
O apelido, porém, não significa que o microrganismo literalmente "coma" a carne. Ele se refere à capacidade de provocar infecções que podem destruir rapidamente tecidos do corpo.
A Vibrio vulnificus é encontrada naturalmente em águas salgadas ou salobras - uma mistura de água doce e salgada - e quentes, principalmente em regiões costeiras. Um estudo publicado na revista Scientific Reports destaca que o aumento da temperatura das águas costeiras favorece a expansão da área de ocorrência da bactéria.
O Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) alerta que as infecções são mais comuns durante os meses quentes, especialmente entre maio e outubro. O órgão também destaca que temperaturas do mar acima da média e ondas de calor podem favorecer a presença do patógeno.
Em meio ao aumento da temperatura da água e eventos climáticos extremos (como ondas de calor, inundações e tempestades severas) associados às mudanças climáticas, pessoas com maior risco de infecção por V. vulnificus devem ter cautela ao praticar atividades aquáticas costeiras.
A infecção pode ocorrer principalmente de duas formas. Tanto pelo consumo de frutos do mar crus ou malcozidos, especialmente ostras, ou quando uma ferida entra em contato com água contaminada.
Após a contaminação, a pessoa pode apresentar sintomas gastrointestinais ou desenvolver uma lesão na pele que fica vermelha, dolorida, inchada e quente. Em casos graves, a bactéria pode chegar à corrente sanguínea e provocar sepse, uma resposta extrema do organismo à infecção.
A Vibrio vulnificus também pode causar fasciíte necrosante e exigir a remoção cirúrgica de tecidos afetados. Em casos extremos, levar à amputação.
O CDC estima que cerca de 150 a 200 infecções por Vibrio vulnificus sejam notificadas anualmente nos Estados Unidos.
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