'Fino', dinheiro e coragem: como apps exploram 'provas de masculinidade' dos entregadores, segundo sociólogo
Na esquina de um shopping center em São Paulo, o som de notificações de aplicativos de entrega toca freneticamente a partir das 11h.
É apenas quando os pedidos de almoço na região da avenida Paulista recuam, por volta das 15h, que Matheus da Silva Pérez finalmente se senta, enrola um cigarro e conversa com colegas.
Ali eles se reúnem diariamente com suas bags e bikes , num improvisado escritório ao ar livre.
Eles são, em sua maioria, jovens.
Aos 22 anos, Matheus trabalha há seis e começou a fazer entregas para complementar renda — antes, trabalhava em um lava-rápido e fazia bicos como barista e garçom.
Mas logo ele percebeu que poderia se dedicar apenas às entregas.
"Vi que eu não precisava mais trampar em lugar nenhum quando vi que conseguia fazer muito mais dinheiro com entrega." O trabalho por aplicativos segue em expansão no Brasil.
Em 2024, eram 1,7 milhão de pessoas nessa modalidade, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o equivalente a 1,9% dos ocupados no setor privado.
Em dois anos, houve um crescimento de 25,4%, com a entrada de mais 335 mil trabalhadores.
A maioria atua no transporte de passageiros: são 58,3% (964 mil).
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