Santos: Antes de acordo com União, clube quase perdeu CT Rei Pelé em leilão, que teve lance de R$ 200 milhões
Enquanto se move para construir um novo e moderno Centro de Treinamento (CT) das categorias de base na Área Continental de São Vicente (SP), o Santos conseguiu, na semana passada, resolver o imbróglio envolvendo um local que leva o nome de seu ídolo máximo.
LEIA MAIS: Santos criará parque ecológico e prevê que CT da base ocupará no máximo 30% do terreno em São Vicente No último dia 1º de outubro, o clube assinou com a União a renovação, por mais 20 anos (prorrogáveis por igual período), da concessão onerosa do terreno que abriga o CT Rei Pelé , no bairro do Jabaquara, em Santos (SP).
A Máquina do Esporte apurou que o Peixe arcará com um gasto mensal de R$ 145 mil, relativo ao aluguel do terreno de 39 mil m² (isto sem contar a dívida de R$ 23 milhões pelo uso anterior do local, que será parcelada a perder de vista), situação que é vista como vantajosa, já que avaliações de mercado indicam que a locação apenas da terra nua (sem levar em conta as construções e melhorias existentes no local) em uma área dessas dimensões, naquela região da cidade, poderia custar até R$ 400 mil.
Histórico da área O terreno que hoje abriga o CT Rei Pelé é uma área federal, onde, nos anos 1980 e 1990, funcionava o Conjunto Poliesportivo Chico Guimarães, mantido pela Prefeitura de Santos e que costumava sediar jogos e torneios envolvendo equipes amadoras da cidade.
Em 1996, o local foi enfim cedido pela antiga Codesp (atual Autoridade Portuária de Santos) ao Peixe, que já costumava realizar treinos nos campos ali existentes.
Como contrapartida, o clube teria de instalar uma estrutura de treinamento voltada à população vulnerável, com o objetivo de formar atletas em diversas modalidades.
Vistorias realizadas nos anos seguintes comprovaram que o Santos cumpria com sua parte no acordo.
O CT foi inaugurado em 2005, passando a receber os treinos do time profissional.
Foi assim até que, em 2008, o procurador Rodrigo Joaquim Lima, do Ministério Público Federal (MPF), instaurou inquérito civil questionando a destinação social da área.
Em 2016, foi a vez da também a procuradora do MPF Juliana Mendes Daun Fonseca entre no caso, concluindo que o clube não cumpria com a contrapartida pactuada.
O Santos contestou, à época, as alegações da procuradora, apresentado um laudo que elencava 89 ações e projetos na área social que teriam sido desenvolvido no CT, entre 2015 e 2017.
Ainda assim, a Secretaria do Patrimônio da União (SPU) não se comoveu com os argumentos e solicitou a desocupação da área.
Em 2020, o CT Rei Pelé integrava uma lista de imóveis públicos que Paulo Guedes, ministro da Economia do então presidente da República Jair Bolsonaro (PL), pretendia mandar a leilão.
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