'Gabinetes do ódio': eleição em PE vira briga digital de João e Raquel
Siga UOL Notícias no Ouvir na voz do colunista 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× A disputa entre os dois principais candidatos ao Governo de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD) e João Campos (PSB), tem sido marcada por uma intensa troca de acusações sobre a criação dos chamados "gabinetes do ódio".
As acusações são parecidas nos dois casos: o uso de uma estrutura digital para atacar o adversário. Isso ocorreria por meio de páginas e perfis em redes sociais que seriam pagos para difamar o rival ou mesmo criados e operados por robôs.
A reportagem cita que o esquema seria comandado por Amisadai Andrade da Silva, um servidor estadual que ocupava o cargo de superintendente de Operações da Arena de Pernambuco, vinculada à Secretaria de Turismo e Lazer.
Ele foi gravado com declarações supostamente comprometedoras contra o governo do estado e foi apontado como nome ligado a diversos perfis que atacam João Campos. No dia seguinte à exibição da reportagem, ele foi demitido pelo governo .
A coluna tentou localizar o ex-servidor, mas não conseguiu. O espaço segue aberto para manifestação.
A reportagem também afirmou que o caso já estaria sendo apurado pela PF (Polícia Federal), o que foi negado pela instituição. A campanha de João disse que ainda vai mandar as informações à PF.
Após a publicação da reportagem, João Campos gravou um vídeo comentando o suposto gabinete do ódio. Disse que "está claro que houve crime" .
Entretanto, o caso gerou um contra-ataque de Raquel, que afirmou que a pessoa citada já foi servidora da prefeitura durante a gestão de João e seria amiga dele.
Ela publicou em suas redes sociais um vídeo em que João aparece dando parabéns pelo nascimento da filha dessa pessoa.
Nos bastidores, segundo apurou o UOL com pelo menos três pessoas, a equipe de Raquel acredita que a gravação foi armada para gerar a denúncia na TV. João nega amizade com Amisadai e voltou a cobrar explicações da governadora.
"Fundamentamos isso a partir da divulgação de vários veículos de imprensa de uma rede coordenada de perfis de reportagem e de perfis criados e custeados com recursos públicos para atacar sistematicamente João", disse o advogado Rafael Carneiro, ligado à chapa do PSB.
Nesta sexta-feira, a governadora apresentou uma interpelação judicial criminal para que o adversário esclareça a quem se referiu ao acusar o governo de Pernambuco de coordenar uma suposta "milícia digital".
Do lado da governadora, também há uma representação apresentada à Justiça Eleitoral em julho e que aguarda julgamento.
A campanha de Raquel apresentou um dossiê baseado em uma auditoria digital que aponta uma suposta estrutura coordenada, composta por 535 perfis, dos quais 489 seriam inautênticos, nas redes sociais. Segundo a acusação, a estrutura seria usada para criticar a gestão da governadora e promover o ex-prefeito do Recife.
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