Nova liderança da direita radical italiana cresce nas pesquisas e preocupa coalizão do governo Meloni
Programa eleitoral de Roberto Vannacci defende propostas polêmicas, como o "patriarcado mediterrâneo", restrições a conteúdos de gênero na TV e o fim da tipificação do crime de feminicídio. Por outro lado, descendentes de italianos no Brasil são vistos como uma alternativa para atrair novos trabalhadores ao país.
A Itália já começa a olhar para as eleições parlamentares, previstas para o ano que vem. Nesse cenário, um nome da direita radical vem chamando a atenção pelo crescimento nas pesquisas: Roberto Vannacci, eurodeputado e uma das figuras mais controversas da política italiana neste momento. Ele afirma que o atual governo, considerado de extrema direita, não é suficientemente de direita.
O partido de Vannacci, o Futuro Nazionale, começou a divulgar, em etapas, um programa ideológico e eleitoral para as eleições de 2027. Na segunda parte, publicada nesta segunda-feira (22), o partido foca no conceito de família e em questões de identidade. Em um dos trechos mais polêmicos, há uma proposta de proibir a exibição na televisão de conteúdos ligados a gênero e homossexualidade entre as 6h e as 23h. O programa também questiona o apoio de governos a eventos e iniciativas de orgulho LGBTQIA+.
O documento classifica os valores familiares e cristãos como "não negociáveis" e defende a chamada família tradicional, formada por um homem e uma mulher. Além disso, contesta que exista na Itália um "direito ao aborto" e questiona a formulação da legislação atual, que permite a interrupção voluntária da gravidez nos primeiros 90 dias.
Há duas semanas, o partido de Vannacci havia divulgado a primeira parte do programa, que teve grande repercussão na Itália, por exemplo, ao defender um "patriarcado mediterrâneo". Para o Futuro Nazionale, o conceito define a ideia de formar homens fortes, com o papel de proteger as mulheres e a sociedade.
Ainda no campo das posições antifeministas, o partido quer acabar com a recente tipificação do feminicídio como crime autônomo. A medida entrou em vigor em dezembro e prevê prisão perpétua para esse tipo de crime.
Um dos pilares do Futuro Nazionale é a imigração, tema em que o partido apresenta semelhanças com posições já defendidas pela atual direita italiana. A legenda fala em "tolerância zero" à imigração irregular e defende a chamada "remigração", com políticas para incentivar e facilitar o retorno de imigrantes aos países de origem.
Em contrapartida, quer atrair para a Itália descendentes de italianos que vivem no exterior. O programa propõe incentivos fiscais para estimular trabalhadores que tenham direito à cidadania italiana pelo ius sanguinis , ou seja, pelo direito de sangue, e menciona especificamente descendentes de italianos no Brasil , na Argentina e na Venezuela.
O programa eleitoral, no entanto, não explica como essa proposta se encaixaria nas restrições que o governo Meloni impôs, no ano passado, ao reconhecimento da cidadania italiana por descendência.
O Futuro Nazionale vem ganhando espaço nas pesquisas de intenção de voto.
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