O rumoroso caso de um município roraimense e as ‘emendas Pix’ e ‘emendas secretas’
Congresso tornou-se um duto de envio de recursos federais por meio de emendas parlamentares (Foto: Divulgação) Em política, quando poucos falam sobre o assunto é porque algo muito terrível está acontecendo – e com a conivência da maioria.
Esse é o caso sobre a destinação de emendas parlamentares, que se tornaram um escândalo nacional, mas cujos ruídos são logo silenciados enquanto um grande duto de recursos federais alimenta esquemas políticos em municípios pobres do interior por todo o país.
O assunto novamente está em evidência, mas sem as repercussões necessárias quando os partidos políticos com representação no Congresso Nacional receberam o ultimato judicial de responder ao ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), até esta quarta-feira, 19, sobre uma possível ingerência dos dirigentes partidários na definição e execução de emendas parlamentares.
A finalidade do STF com essa investigação é montar um panorama amplo sobre as práticas internas das siglas partidárias sobre destinação de emendas, a partir de quando a Corte poderá decidir por novas medidas com a finalidade de ampliar a transparência e a rastreabilidade das emendas parlamentares, que movimentam bilhões do orçamento federal a cada ano, sobre o qual recaem fortes suspeitas de um amplo e enraizado esquema na política brasileira amparado pela falta de transparência e fiscalização.
Os escândalos vêm de longas datas, inclusive um pequeno município roraimense acabou sendo o epicentro da grande repercussão sobre as chamadas “emendas Pix”, em junho de 2024, quando a situação foi exposta na mídia nacional.
Trata-se do Município de São Luiz do Anauá, no Sul de Roraima, que recebeu R$ 126 milhões apenas em emendas parlamentares no período de cinco anos, cerca de 4.000% acima da média nacional per capita.
O caso ficou conhecido nacionalmente por meio da matéria intitulada “O estranho caso da pequena cidade campeã em repasses do Congresso”, publicada na revista VEJA de 7 de junho de 2024, edição nº 2896.
No entanto, outros escândalos ocorreram por meio das chamadas “emendas secretas”, que também foi outra polêmica que logo saiu das manchetes da grande imprensa.
Só para esclarecer, as “emendas secretas” foram aquelas alocadas pelo relator do orçamento, entre 2020 e 2021, sem divulgação clara de quem indicou, a destinação ou como os recursos foram utilizados.
Já as “emendas Pix” dizem respeito àquelas emendas parlamentares individuais, às quais senadores e deputados federais têm direito.
A partir de 2021, elas passaram a ser transferidas diretamente às prefeituras ou governos estaduais via Pix, sem passar por convênios ou processos licitatórios.
Foi caso do município roraimense São Luiz do Anauá, em que 54% dos R$109 milhões enviados à Prefeitura foi por meio das “emendas Pix”.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.folhabv.com.br — o conteúdo pertence a Folha de Boa Vista.