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'Antiteledramaturgia' de 'Quem Ama Cuida' choca e conquista a audiência

Folha de S.Paulo ·
'Antiteledramaturgia' de 'Quem Ama Cuida' choca e conquista a audiência

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Quem acompanha " Quem Ama Cuida " sabe que a hipervilã Pilar tem um problema sério com sua filha Brigitte. Ainda não foi revelada a questão que envolve as duas, mas a mãe frequentemente trata a filha como um animal selvagem. É uma violência brutal, que curiosamente não espanta ninguém.

No capítulo 72, exibido na última segunda-feira, Pilar almoçava com seus três filhos, quando se dirigiu a Brigitte e cuspiu o seguinte texto: "Não sei por que você ainda tem lugar de fala nessa mesa. Sua cota de chatice já se esgotou por hoje. Você não terminou? Come rápido porque eu quero que você saia da mesa. Tive uma ideia melhor. Vai comer a sobremesa com os empregados".

Brigitte respondeu: "Eu vou feliz, mãe. Eu acho que sou muito mais bem-querida na cozinha do que aqui".

Nas novelas de horário nobre de Walcyr Carrasco , o efeito sobre o espectador, o choque e o impacto que as cenas causam, é sempre mais importante do que a construção do texto. É um estilo que costuma ser revertido em bons índices de audiência.

Arrisco dizer que Walcyr pratica uma espécie de "antiteledramaturgia". Os inúmeros entrechos que cria têm começo e fim, mas o autor não perde tempo com o meio do caminho. As situações sempre resultam em susto, espanto, gritaria, gestos brutos. O espectador não encontra espaço para imaginar o que pode acontecer nas novelas do autor. Tudo vem pronto.

Os números de audiência, mais uma vez, provam que esse tipo de novela agrada ao público. A esta altura, a trama já acumula média de audiência superior à bem-sucedida novela anterior, "Três Graças", de Aguinaldo Silva, e se aproxima dos números registrados por "Vale Tudo", de Manuela Dias. Tudo indica que será mais um folhetim de sucesso de Carrasco.

Cada ponto na Grande São Paulo, o maior mercado do país, equivale a 199.633 indivíduos. Com a Globo penando para recolocar a audiência das tramas do horário nobre numa faixa superior a 25 pontos, o autor não se arriscou.

"Quem Ama Cuida" tem a mesma premissa de "O Outro Lado do Paraíso", exibida entre 2017 e 2018, que registrou média de 38 pontos e se mantém como a melhor audiência de uma trama das 21h desde 2013.

Carrasco criou novamente uma trama abertamente inspirada em "O Conde de Monte Cristo", de Alexandre Dumas. Trata-se, como é mundialmente reconhecido, do mais tradicional dos folhetins sobre a vingança de um inocente injustamente condenado e preso por crimes que não cometeu.

A fisioterapeuta Adriana, vivida por Leticia Colin , aceita se casar com um milionário idoso, Arthur Brandão, papel de Antonio Fagundes, porque ele não quer dividir sua herança com os irmãos, sanguessugas interesseiros. Mas o personagem é assassinado na noite da união e Adriana é injustamente acusada, condenada e presa por sete anos por causa do crime.

Uma novidade importante em "Quem Ama Cuida" é a parceria de Carrasco com Claudia Souto –os dois assinam juntos a novela.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha de S.Paulo.

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