Na China, paleontólogos descobrem fóssil de ave que pode ter desaprendido a voar
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Um fóssil encontrado na China indica que a origem das aves, ainda durante o período Jurássico (há cerca de 150 milhões de anos), talvez não tenha dependido tão diretamente do domínio do voo quanto se imaginava. Isso porque o esqueleto descoberto por paleontólogos do país asiático mostra uma ave primitiva que provavelmente tinha hábitos terrestres e não costumava decolar.
A descoberta "destaca a gama extraordinária de diversificações ecológicas e morfológicas que aconteceram perto da origem das aves", resumiu, em entrevista à Folha , o coordenador da pesquisa, Min Wang, que trabalha no Instituto de Paleontologia de Vertebrados e Paleoantropologia da Academia Chinesa de Ciências.
Wang e seus colegas descreveram a nova espécie de ave primitiva, batizada por eles de Yuezhuornis yangyuanensis , em artigo publicado na última quarta-feira (14) na revista científica britânica Nature .
Com idade estimada entre 149 milhões e 143 milhões de anos e medindo cerca de 50 cm da ponta do focinho (e ainda com dentes no maxilar e mandíbula) à extremidade da cauda, o bicho vem do sudeste chinês.
A espécie integra a chamada fauna de Zhenghe, que inclui diversas outras espécies do Jurássico, entre as quais há bichos do tamanho de corvos e outros só um pouco maiores do que pardais.
A morfologia desses bichos indica que eles eram capazes de voo, com diferentes graus de desenvoltura no ar, e que faziam parte do grupo designado como Avialae (algo como "asas de ave", em latim). É a parte da árvore genealógica dos vertebrados que inclui tanto as aves modernas quanto seus parentes extintos que estão mais próximas delas do que dos demais dinossauros.
A análise conduzida pela equipe de Wang no esqueleto incompleto e parcialmente articulado do Y. yangyuanensis coloca inequivocamente o bicho entre os Avialae. Mas o que chama a atenção são as características dos membros superiores e inferiores.
No bicho, que era bípede, as patas da frente são curtas demais para funcionarem como asas, enquanto as traseiras são compridas e delgadas, com a presença de uma grande garra em forma de foice no segundo dedo do pé.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www1.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha · Ciência.