O dia em que Brizola decidiu fazer a elite engolir o "sapo barbudo"
Ao perder para Lula, pela diferença minúscula de 0,63% dos votos totais, o direito de enfrentar Fernando Collor no segundo turno da eleição presidencial de 1989 — a primeira pelo voto popular desde o fim da ditadura de 1964 —, o ex-governador do Rio Leonel Brizola, do PDT, inicialmente chorou pitangas.
Mas, depois, teve uma ideia.
Chamou o deputado Miro Teixeira para uma reunião no seu apartamento em Copacabana, com ampla vista para o mar.
Ele o incumbiu de uma missão que deveria permanecer secreta, desse resultado ou não.
Brizola estava convencido de que Lula perderia para Collor, que contava com o apoio maciço da direita.
Miro deveria embarcar de imediato para São Paulo ao encontro de Mário Covas, o candidato do PSDB que fora o quarto nome mais votado no primeiro turno.
A missão era perguntar-lhe se toparia disputar o segundo turno contra Collor.
Se a resposta de Covas fosse “sim”, Brizola se encarregaria de convencer Lula a abdicar de tal direito.
Missão dada, missão cumprida com a urgência necessária.
Covas pediu a Miro algum tempo para pensar a respeito e consultar suas bases.
Mas já no dia seguinte, em telefonema para Miro, que já havia retornado ao Rio, pediu-lhe que informasse a Brizola que declinava do convite.
Não fora ele o escolhido pelo povo, e sim Lula.
Não daria certo.
Àquela altura, fervia o caldeirão do PDT com a indefinição de Brizola quanto a apoiar Lula ou não.
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