Lula, Macron e o paquiderme estatal
Crise francesa mostra o preço de manter despesas públicas que a economia já não consegue sustentar
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR Os presidentes Lula e Emmanuel Macron se dão muito bem. Quando o francês visitou a Amazônia, em 2024, a afinidade foi tão evidente que a relação passou a ser tratada como um bromance .
Agora surge outra semelhança: ambos enfrentam eleições com altos índices de desaprovação de seus governos.
Entre os fatores que alimentam a insatisfação está o esgotamento de um modelo de Estado grande e assistencialista, que as taxas de crescimento das duas economias não conseguem sustentar.
Apesar das manifestações de rua que tomaram a França nos últimos dias, a situação de Macron poderia até ser descrita como um pouco melhor que a de Lula.
Ele ao menos pode responsabilizar gerações de governantes pela construção do modelo francês, que vem do pós-Segunda Guerra.
Por mais que goste de empurrar responsabilidades para terceiros e reclamar de “heranças malditas”, Lula não dispõe da mesma desculpa.
O modelo brasileiro que agora encontra seus limites tem, em boa medida, a assinatura do PT. O partido foi tutor do paquiderme estatal durante a maior parte do último quarto de século .
A França vive uma crise fiscal que começa a adquirir contornos financeiros e políticos perigosos. Sua dívida pública alcançou 119% do PIB, o déficit previsto para este ano é de 5,4% e os juros dos títulos do governo com vencimento em dez anos se aproximaram de 5%, o maior patamar desde 2002.
Os investidores já exigem remuneração superior à cobrada de países como Itália e Grécia, historicamente considerados mais arriscados. O governo francês continua conseguindo financiamento, mas a um custo crescente.
Enquanto o governo tenta conter despesas, estudantes e professores protestam contra a deterioração das escolas. A sociedade exige mais recursos justamente quando o Estado encontra dificuldades crescentes para financiá-los.
O país preserva um sistema previdenciário generoso, com idade de aposentadoria relativamente baixa, enquanto o envelhecimento da população pressiona as contas públicas.
Os compromissos com as gerações mais velhas comprimem o espaço disponível para outras prioridades, entre elas a educação. A resistência política à reforma previdenciária tornou-se parte do problema.
O governo Lula talvez argumente que a dívida bruta brasileira chegou a 82,9% do PIB em agosto, segundo o Banco Central, enquanto a francesa alcançou 119% no segundo trimestre, de acordo com o instituto oficial de estatísticas do país.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.