Gilmar critica quebra de sigilo feita por Mendonça: 'Recortes de diálogos'
O ministro do STF Gilmar Mendes solicitou à Polícia Federal a cópia da mídia extraída do celular de Daniel Vorcaro e criticou a quebra de sigilo feita por André Mendonça. Ele afirma que o material disponibilizado traz apenas "recortes de diálogos selecionados" entre Alexandre de Moraes e o banqueiro.
Gilmar diz que a falta de acesso aos dados "reduz os julgadores à condição de espectadores do trabalho desenvolvido pelo relator". "Sem a verificação da mídia que se encontra no gabinete do ministro André Mendonça há mais de seis meses, não há como identificar omissões, obscuridades ou contradições no relatório, nem aferir a integralidade do que foi recuperado, o contexto das mensagens ou a representatividade da seleção", afirma.
Se um dos membros do colegiado possui essas informações, é prerrogativa dos demais membros do Tribunal acessar aquilo que fundamenta a decisão que lhes cabe proferir. E, não deveria ser necessário lembrar, o Plenário não é órgão do relator, mas colegiado cujos integrantes exercem jurisdição em condições iguais, sem hierarquia entre si.
O que hoje se franqueia aos demais Ministros são recortes de diálogos selecionados no relatório produzido por ordem do Relator, escolhidos entre várias outras conversas que não foram transcritas no referido documento. Gilmar Mendes
Gilmar ressaltou que o acesso ao material ficaria restrito. Segundo o ministro, os dados extraídos do celular de Vorcaro não devem ser divulgados e permaneceriam disponíveis apenas para acesso interno do gabinete. "Sobre o alegado risco para o êxito das investigações, suscitado pelo eminente ministro André Mendonça, registro que não se cogita de qualquer levantamento de sigilo", afirmou.
Ministros pressionam pela liberação do material antes do julgamento sobre Moraes . Na terça-feira, o plenário do STF começa a analisar a eventual abertura de investigação contra o ministro. Além de Gilmar, Cristiano Zanin e Moraes também já pediram acesso aos dados do celular.
Na começo do mês, Mendonça retirou o sigilo do relatório da PF que mostra a relação entre Moraes e Vorcaro, elaborado a partir de mensagens obtidas no celular do banqueiro. Em novembro de 2025, o empresário consultou Moraes sobre o risco de prisão e a possibilidade de deixar o Brasil. "Acha que segunda já tenho que estar fora?", escreveu. O documento também expôs os contratos milionários do Banco Master com o escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do STF.
Mendonça afirmou que não está com o aparelho e que recebeu apenas uma cópia de segurança dos dados extraídos pela PF. Segundo ele, o material está em um HD criptografado, dentro de envelope lacrado e "intocado". O ministro disse que os documentos servem apenas como contraprova a ser utilizada em caso de necessidade, como perda ou extravio do material original.
Ministro afirma que disponibilizar a íntegra do material comprometeria o sigilo e a eficiência da persecução penal. "Reitero que todo o material utilizado para o julgamento da próxima terça-feira encontra-se disponível, na íntegra, a Vossas Excelências.
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