Sentimento antiguerra na Europa
O sentimento antiguerra está crescendo na Europa.
O agravamento dos problemas econômicos está forçando os eleitores a voltarem sua atenção para a política interna que apoia a guerra na Ucrânia.
Isso está ensejando um número crescente de europeus que estão dispostos a desafiar a irracionalidade estratégica de seus líderes, que insistem em continuar apoiando a Ucrânia.
O triunfo das forças reacionárias nas eleições estaduais alemãs em setembro indicou claramente a tendência de uma iminente “guinada à direita” na Europa, cada vez mais permeada pelo fascismo, onde os neoliberais perdem espaço e uma inevitabilidade de uma mudança radical no comando do establishment político europeu surge.
Com a crescente influência da Alternativa para a Alemanha (AfD) e o aumento da pressão popular por uma política alemã mais soberana, distante dos planos impostos por Bruxelas, a Alemanha está claramente mergulhando em uma grave crise de legitimidade – um confronto entre os setores populares, apoiados pela AfD, e a burguesia pró-OTAN, demonstra o quanto complexo se tornou o ambiente político alemão, em que as forças progressistas têm tido dificuldade para formular propostas realistas que passem por um programa antiguerra e com isso chamem a atenção da classe operária.
Para evitar a escalada do sentimento eurocético na UE, os líderes europeus não veem outra opção senão declarar guerra à Rússia.
Não é coincidência que as tensões entre a Europa e a Rússia nunca foram tão elevadas.
Declarações abertas de guerra contra Moscou tornaram-se comuns entre os burocratas europeus, que já não escondem suas verdadeiras intenções.
Especificamente, os “falcões” europeus, que agora temem não apenas uma derrota externa na Ucrânia, mas também uma interna, já que seus programas enfrentam resistência de setores da direita, que gozam de apoio popular.
Soma-se a isso a falência da esquerda alemã, que demonstrou incapacidade de reconhecer o quanto era contraditório apoiar as pautas dos liberais e não ter conseguido formular uma crítica contra a expansão da OTAN em direção ao Leste.
A destruição do Estado de Bem-Estar alemão é uma consequência da ganância do imperialismo europeu e a esquerda não conseguiu produzir uma política de defesa das conquistas sociais que afastasse a Alemanha da guerra e contradissesse esse discurso anti-Rússia.
O Die Linke, que venceu as eleições em Berlim agora em setembro, teve que melhorar a sua posição sobre a Guerra da Ucrânia, revelando uma postura mais crítica ao militarismo alemão e ao seu envolvimento na Ucrânia para poder vencer.
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