Por que o diretor da Quaest acha quase impossível a eleição presidencial terminar no 1º turno
O cientista político Felipe Nunes , diretor da Quaest , avaliou que a possibilidade de a eleição presidencial de 2026 ser definida ainda no primeiro turno é “bastante baixa” , apesar da concentração das intenções de voto nos dois principais candidatos.
Em análise feita à GloboNews nesta quarta-feira (23), Nunes afirmou que o cenário dependeria de duas condições que, segundo ele, não aparecem nos dados atuais: o desaparecimento das candidaturas alternativas e a migração quase total desses eleitores para apenas um dos polos da disputa.
A avaliação foi feita após a divulgação da última pesquisa Quaest, que mostrou Lula e Flávio Bolsonaro concentrando a maior parte das intenções de voto, enquanto nomes da chamada terceira via aparecem com percentuais menores.
Para Nunes, porém, a existência de candidatos alternativos ainda representa um fator relevante para impedir uma definição antecipada.
“Para a eleição terminar no primeiro turno, para qualquer um dos dois nomes, a gente teria que ver desaparecer as alternativas à polarização”, afirmou o diretor da Quaest.
Segundo ele, seria necessário que candidaturas como as de Renan Santos, Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Ciro Gomes chegassem “quase a zero”, algo para o qual, em sua avaliação, não há evidência na pesquisa.
Um dos argumentos apresentados por Felipe Nunes é que parte dos eleitores que hoje declaram voto em candidatos fora da polarização já teria uma preferência consolidada e não necessariamente migraria para Lula ou Flávio Bolsonaro.
Segundo ele, cerca de metade desses eleitores já teria definido sua escolha e permaneceria resistente a uma mudança, principalmente em razão dos altos índices de rejeição aos dois principais nomes da disputa.
O diretor da Quaest também contestou a hipótese de que todos os votos disponíveis de candidatos alternativos migrariam para apenas um dos lados.
De acordo com a análise apresentada, existe uma parcela desses eleitores que prefere Lula a Flávio Bolsonaro.
“Não é que o Lula fica sem voto nenhum, ele ganha um pedaço dessa migração”, afirmou Nunes.
Segundo ele, entre os eleitores que admitem votar em Lula ou Flávio em um eventual segundo turno, a divisão apontada pela pesquisa indica uma tendência de aproximadamente 70% para Flávio Bolsonaro e 30% para Lula.
Para o cientista político, isso significa que a disputa não pode ser analisada a partir da hipótese de que todos os votos dos candidatos alternativos estarão automaticamente destinados a um único candidato.
Assista à análise: https://x.com/GloboNews/status/2102957873533759673 Rovai vê cenário aberto para primeiro turno O diretor de redação da Revista Fórum , Renato Rovai , destaca outro dado da mesma pesquisa: o resultado da chamada pesquisa espontânea, quando o eleitor responde sem receber uma lista de candidatos.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em revistaforum.com.br — o conteúdo pertence a Revista Fórum.