O jornalismo de pau-de-arara da Folha, Globo, Metrópoles e Veja
Uma engrenagem periodicamente acionada pela autoproclamada “grande imprensa” tornou-se, na era digital da prevalência das redes sociais, o seu motor mais sofisticado e, paradoxalmente, o mais arcaico também.
Eu falo do denuncismo, eregido sob a fachada de uma cobertura de interesse público.
Novamente, sempre em ano eleitoral e às vésperas da disputa, o ecossistema midiático formado por conglomerados como Folha, Globo, Metrópoles e Veja reproduz, com requintes de crueldade institucional, uma lógica análoga ao pau-de-arara.
Na prática desse método de tortura, a vítima, molhada e pendurada de cabeça para baixo, com fios elétricos pelo corpo, é submetida a tormentos físicos extremos e é empurrada a confessar qualquer disparate, inclusive que é um faraó do Egito Antigo, simplesmente porque a dor insuportável torna a admissão de uma inverdade a única saída aparente para estancar o sofrimento.
No tabuleiro político nacional, o eleitor brasileiro, profundamente abalado pelo extremismo reacionário e pela herança distópica do bolsonarismo vigente, é sistematicamente colocado no mesmo cativeiro psicológico.
A cada ciclo em que as urnas se aproximam, reemerge um massacre informativo artificial que tenta arrastar para o centro do turbilhão Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
O método é grosseiramente repetitivo.
Constrói-se um castelo de ilações a partir de fragmentos irrelevantes: a amiga que buscava um contrato público, o conhecido que realizou uma transferência bancária ordinária, conversas cotidianas sobre valores financeiros expostas fora de contexto.
São expedientes manejados com tamanha falta de pudor que até as parcelas menos politizadas da sociedade identificam a manobra: trata-se de um esforço deliberado para tutelar o pleito, corroer a liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas pesquisas e reverter artificialmente a correlação de forças em jogo.
O contraste moral dessa cruzada midiática torna-se escandaloso quando confrontado com a alternativa que se tenta viabilizar nos bastidores da opinião publicada (e não pública).
Enquanto se fatiam e distorcem mensagens privadas em manchetes espalhafatosas, a mesma imprensa reluta em tratar com a devida gravidade os escândalos reais que cercam figuras da extrema direita, especialmente a de Flávio Bolsonaro, o postulante ao Palácio do Planalto.
Em relação a ele, normaliza-se ou ignora-se a trajetória de aliados políticos enlameados em esquemas de desvio de recursos públicos, as relações íntimas com a corrupção sistêmica e os laços profundos com milicianos e apadrinhados presos à serviço do narcotráfico.
É desalentador que conglomerados que erguem a bandeira da liberdade de imprensa em seus editoriais utilizem métodos de coerção simbólica tão violentos.
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