Lincoln Gakiya recusa convite de Caiado para integrar eventual Ministério da Segurança
O promotor de Justiça Lincoln Gakiya, integrante do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo, recusou o convite do pré-candidato à Presidência da República pelo PSD, Ronaldo Caiado, para integrar um eventual Ministério ligado à Segurança Pública.
Segundo Gakiya, Caiado telefonou para ele e se desculpou por ter anunciado publicamente a intenção de convidá-lo antes mesmo de formalizar a proposta . Apesar do contato, o promotor afirmou que não pretende deixar o Ministério Público para assumir um cargo em eventual governo neste momento.
Gakiya explicou que uma eventual mudança de carreira agora significaria abrir mão de 35 anos de trabalho no Ministério Público. Ele também afirmou que somente em dezembro de 2026 completará os requisitos legais relacionados à idade e ao tempo de serviço para avaliar uma possível aposentadoria.
“Já recebi vários convites anteriormente em época eleitoral, inclusive em gestões passadas, o do Caiado não foi o primeiro e eu, como promotor de Justiça da ativa, não posso ter envolvimento com qualquer atividade político-partidária. Se no final do ano ou no ano que vem eu resolver me aposentar, eu converso sobre esse assunto, antes não.”
O promotor afirmou ainda que não pretende aceitar convites de nenhum outro candidato até que decida sobre sua aposentadoria. A previsão é que essa avaliação ocorra somente em 2027.
Caiado havia anunciado, ao longo desta semana, durante a apresentação de um plano com oito propostas para o combate ao crime organizado, que pretendia convidar Gakiya para integrar seu eventual Ministério . O candidato destacou a experiência do promotor no enfrentamento às organizações criminosas e nas investigações envolvendo facções, área em que atua há mais de duas décadas.
Apesar da proximidade temática, Caiado e Gakiya têm posições divergentes sobre uma das principais propostas apresentadas pelo pré-candidato: a classificação de organizações criminosas como grupos terroristas.
Gakiya é contrário à medida e já havia afirmado que a mudança poderia prejudicar mecanismos de cooperação internacional utilizados atualmente no combate ao crime organizado. Entre os exemplos citados pelo promotor estão as parcerias entre a Polícia Federal brasileira e o FBI, nos Estados Unidos.
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