Mistério da “Cachoeira de Sangue” esconde vida marinha ancestral na Antártida
Uma equipe internacional de pesquisadores identificou a presença de vida marinha ancestral em funcionamento nas águas avermelhadas e hipersalinas de Blood Falls (Cataratas de Sangue), localizadas no Glaciar Taylor, na Antártida.
O estudo, baseado na análise de material genético (RNA) coletado no local, confirmou que micro-eucariotas marinhos — incluindo diatomáceas e dinoflagelados — continuam metabolicamente ativos e realizando fotossíntese, mesmo estando fisicamente isolados do oceano moderno há milênios.
A descoberta oferece evidências moleculares diretas de como ecossistemas marinhos do passado conseguiram persistir aprisionados sob espessas camadas de gelo após antigas mudanças no clima polar.
A origem das águas vermelhas no Glaciar Taylor As chamadas Cataratas de Sangue são formadas pelo derramamento esporádico de uma salmoura subglacial rica em ferro e sal, aprisionada sob o Glaciar Taylor, nos Vales Secos de McMurdo.
Pesquisas biogeoquímicas indicam que essa água salgada se originou quando antigas incursões do oceano inundaram o vale durante períodos interglaciais mais quentes.
À medida que a geleira avançou, a água do mar ficou confinada em um reservatório subterrâneo sem contato direto com a atmosfera.
Até então, a ciência conhecia apenas bactérias adaptadas a esse ambiente anóxico e escuro.
No entanto, a nova análise comprovou que organismos mais complexos , pertencentes a linhagens marinhas de microalgas , também habitam o sistema e mantêm atividades metabólicas essenciais.
Análise de RNA confirma atividade metabólica e fotossíntese Para verificar se os organismos encontrados no gelo avermelhado eram residentes ativos ou apenas resíduos fósseis transportados pelo vento, os cientistas utilizaram sequenciamento genético e metatranscritômica .
As amostras revelaram a presença de RNA funcional de diatomáceas (como os gêneros Fragilariopsis e Chaetoceros ) e dinoflagelados ( Gymnodiniaceae ).
Os dados indicaram a ativação de rotas metabólicas ligadas à fotossíntese , respiração celular, transporte de íons e reparo de DNA.
Segundo a pesquisa, esses micro-organismos acionam mecanismos de osmoadaptação e tolerância a estresse salino quando a salmoura emerge e interage com a luz solar e a água de derretimento da superfície.
Em períodos desfavoráveis, as células conseguem entrar em estados de dormência ou encistamento , preservando sua viabilidade no gelo por longos intervalos.
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