A estratégia de partidos e candidatos para capturar o decisivo ‘voto pragmático’
Desde o início da pré-campanha eleitoral, as pesquisas indicam que uma faixa considerável do eleitorado pretende votar em quem apresente respostas concretas para os problemas do dia a dia.
A linguagem política tradicional, muitas vezes composta de termos abstratos como governança, cidadania e soberania, ou por matizes ideológicos como esquerda e direita, progressismo e liberalismo, não tem encontrado ressonância em determinados segmentos.
São questões como segurança pública, saúde, carestia e educação que estão no topo das preocupações de boa parte da população.
Os partidos parecem atentos a isso.
O PSB, por exemplo, concluiu recentemente um estudo constatando que nas eleições deste ano, principalmente nos estados, largarão na frente os candidatos que convidarem para participar das decisões de seus futuros governos nichos desvinculados de qualquer debate ideológico.
Isso explica os motivos que levaram deputados e senadores a se empenharem nos últimos dias em acelerar a tramitação do projeto que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos.
No mais recente levantamento realizado pelo BTG/Nexus, a violência e a criminalidade lideram a lista daqueles que são considerados pelos eleitores como os principais problemas do país.
O estudo do PSB atestou que o punitivismo, a desconfiança institucional e o papel do Estado combinados são forças que movem eleitores de vários espectros, particularmente evangélicos, mulheres chefes de família e jovens.
É por isso que criticar o Congresso ou o Supremo Tribunal Federal rende popularidade a alguns candidatos.
Os jovens, em especial, não enxergam nas instituições um nível desejável de transparência.
Como resultado, muitos deles são seduzidos por candidatos que se apresentam como antissistema — aqueles que concentram seus discursos de maneira mais radical no direito de ir e vir, cobram dos governantes medidas duras contra a violência e serviços públicos eficientes.
“Na hora que essa fatia da população precisa que o Samu chegue no momento certo, o Estado falta.
Quando ela vai abrir seu pequeno negócio, sobra o Estado com a burocracia”, ressalta Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva.
PRIORIDADE - Violência: o assunto pautará inclusive a campanha presidencial Rafaela Araújo/Folhapress/.
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