Copom vê atividade econômica mais fraca sob efeito de juros altos e queda da inflação
O Copom (Comitê de Política Monetária) disse ver perda de força da atividade econômica sob efeito de juros altos e queda da inflação, segundo ata divulgada pelo Banco Central nesta terça-feira (22).
Apesar de reconhecer um cenário doméstico mais favorável para sua atuação, o colegiado do BC preservou uma comunicação cautelosa e defendeu sua estratégia de queda de juros a conta-gotas.
Receita Federal abre consulta a lote residual de restituição do Imposto de Renda Na última quarta (16), o Copom decidiu por unanimidade reduzir pela quinta vez seguida a taxa básica (Selic) em 0,25 ponto percentual, de 14% para 13,75% ao ano.
No documento, o comitê afirmou que têm se acumulado gradualmente as evidências da transmissão da política de juros sobre o dinamismo da economia.
“A leitura mais recente do PIB [Produto Interno Bruto], referente ao segundo trimestre de 2026, confirmou a desaceleração apontada por outros indicadores e revelou que o movimento foi mais intenso nas atividades econômicas e nos componentes da demanda mais sensíveis ao ciclo econômico”, disse.
Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o PIB desacelerou no Brasil no segundo trimestre, com avanço de 0,5% em relação aos três meses anteriores.
O resultado veio após alta de 1,1% no primeiro trimestre.
O recuo da taxa que mede o consumo das famílias puxou o indicador para baixo.
O Copom disse também ter observado a evolução do mercado de crédito bancário com recursos livres, com desaceleração nas linhas de prazos mais longos.
No entanto, mencionou a expansão nas modalidades com crédito direcionado, com juros mais baixos do que as linhas pactuadas livremente entre bancos e clientes, depois de o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ter lançado medidas com potencial para impulsionar o consumo das famílias em ano eleitoral.
“Nota-se, em particular, redução nas modalidades de mais longo prazo, mais sensíveis à política monetária que as modalidades de curto prazo ou emergenciais, mais onerosas.
Estas continuaram crescendo, porém com desaceleração na margem”, disse.
“Por outro lado, os créditos com recursos direcionados mantiveram trajetória de expansão para pessoas físicas, na linha do crédito imobiliário, e para empresas, sustentados pelas operações com fundos garantidores.” A questão fiscal foi mantida no balanço de riscos para a inflação, com o alerta de que novos estímulos, em especial sobre consumo, podem atrapalhar a queda da Selic.
O colegiado voltou a defender harmonia entre as políticas fiscal e de juros, com convicção de que elas devem ser previsíveis e críveis.
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