Nova espécie de mamífero gigante que viveu no Brasil é descrita pela ciência
Uma espécie até então desconhecida de gliptodonte, grupo de mamíferos extintos aparentados aos tatus atuais, viveu durante o Pleistoceno Superior em uma extensa área da América do Sul, com ocorrência registrada em diferentes regiões do Brasil e no norte da Venezuela, segundo a descrição publicada em agosto no Journal of Mammalian Evolution pelos paleontólogos Édison Vicente Oliveira, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Kasper Lykke Hansen, da Universidade de Copenhague, e Kleberson de Oliveira Porpino, da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN).
Batizada de Glyptotherium deuterophractum , a espécie data de aproximadamente entre 60 mil e 17 mil anos atrás, durante o Pleistoceno Superior, período marcado por grandes oscilações climáticas e pela presença de uma fauna de grandes mamíferos que posteriormente desapareceu em grande parte das Américas.
O principal exemplar utilizado para estabelecer a nova espécie é um crânio incompleto coletado no século 19 pelo naturalista dinamarquês Peter Wilhelm Lund em uma das cavernas da região de Lagoa Santa, em Minas Gerais.
Após reavaliar os achados, o estudo concluiu que parte desse material pertencia a uma espécie diferente das já conhecidas pela ciência.
Distribuição das espécies Glyptotherium deuterophractum e Glyptotherium cylindricum nas Américas.
Créditos: Journal of Mammalian Evolution O fóssil havia sido incorporado às coleções do Museu de História Natural da Dinamarca, em Copenhague, onde permanece preservado.
Ele já havia sido estudado no século 19, mas sua classificação original acabou sendo considerada equivocada.
Os gliptodontes pertencem ao grupo dos cingulados, dentro da ordem dos xenartros, que também inclui os tatus, as preguiças e os tamanduás.
A principal característica do grupo é a carapaça óssea rígida, que protegia grande parte do corpo; mas, diferentemente dos tatus modernos, cuja carapaça é formada por placas organizadas em bandas móveis em diversas espécies, os gliptodontes possuíam uma estrutura formada por placas ósseas incorporadas à pele, chamadas de osteodermos.
Pintura de um Gliptodonte por Heinrich Harder, 1920.
Além disso, eram bem maiores do que os tatus atuais, com centenas de quilos ou até mais de uma tonelada, a depender da espécie.
Além da carapaça, os gliptodontes apresentavam características anatômicas específicas, como dentes adaptados à alimentação vegetal, vértebras lombares fusionadas e uma série de estruturas ósseas que ajudam os paleontólogos a diferenciar os grupos.
Em 1875, quando o crânio já fazia parte das coleções do museu dinamarquês, o naturalista Johannes Reinhardt o classificou como “ Schistopleurum euphractum ”, relacionando-o ao táxon Hoplophorus euphractus .
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